FIDCs têm fronteira promissora de crescimento no Centro-Oeste

  Vicente Guimarães, Diretor de RI do Grupo IOX O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tem uma nova fronteira de crescimento no Centro-Oeste brasileiro diante da manutenção da taxa Selic em patamares elevados e uma oferta restrita de crédito bancário. Levantamento do Grupo IOX, gestora também especializada em crédito estruturado, a…

 

FIDCs, FIDCs têm fronteira promissora de crescimento no Centro-Oeste, Capital Aberto
Vicente Guimarães, Diretor de RI do Grupo IOX

O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tem uma nova fronteira de crescimento no Centro-Oeste brasileiro diante da manutenção da taxa Selic em patamares elevados e uma oferta restrita de crédito bancário.

Levantamento do Grupo IOX, gestora também especializada em crédito estruturado, a partir de dados do Mapa de Empresas do Governo Federal, mostra que o Brasil contava com 24,2 milhões de empresas ativas em 2025. Deste total, 2,2 milhões localizadas no Centro-Oeste, o equivalente a 9,14% do total nacional.

Existe um descompasso relevante entre a oferta de crédito e atividade econômica do Centro-Oeste, afirma Vicente Guimarães, Diretor de RI do Grupo IOX. “A diferença entre essa participação e os 2,5% no mercado de FIDCs revela um espaço significativo para expansão”, disse Guimarães.

Com a Selic ainda em patamares elevados, o crédito bancário segue restritivo, abrindo espaço para instrumentos como os FIDCs, que oferecem maior flexibilidade e aderência às necessidades das empresas, de acordo com Guimarães. Este cenário mostra que há um espaço enorme para instrumentos como os FIDCs, que oferecem maior flexibilidade e aderência às necessidades das empresas, acrescentou Guimarães.

‘Desbancarização’ favorece FIDCs

“Este crescimento acelerado decorreu, principalmente, da ‘desbancarização’ que aconteceu nos últimos anos no Brasil, repetindo o que já tem acontecido em outros países, onde os fundos de crédito têm maior participação”, disse o CEO da Audax, Pedro Da Matta. “Com a Selic alta, muitos bancos acabaram fechando a torneira”, acrescentou.

FIDCs, FIDCs têm fronteira promissora de crescimento no Centro-Oeste, Capital Aberto
Pedro da Matta, CEO da Audax

Os FIDCs estão se firmando como alternativa importante de financiamento para uma região que viu o crédito minguar gradativamente, em meio ao aumento da inadimplência e do número de recuperações judiciais na cadeia do agronegócio, disse Da Matta.

O agronegócio é um setor cíclico, normalmente dividido em ciclos médios de três anos difíceis e três anos melhores, observou Da Matta. Os anos 2024 e 2025 foram anos muito complicados, com aumento expressivo de recuperações judiciais no setor, explicou.

A expectativa era de que 2026 fosse um ano de recuperação, mas o setor está vivendo quase uma tempestade perfeita, com novo aumento dos preços dos fertilizantes, um dólar mais fraco e a alta do diesel, observou Da Matta. Mas este cenário tende a melhorar em 2027, ele acrescentou.

A Audax Capital, gestora de fundos de crédito, com forte atuação no agronegócio e outros setores, estruturando FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), projeta R$ 3,1 bilhões em operações de crédito para 2026 na região.

Em 2025, encerrou o ano com R$ 1,7 bilhão de operações de FIDC na região, crescimento de 115% em relação ao ano anterior, acrescentou Da Matta.

Espaço para crescimento

De acordo com o estudo do Grupo IOX, enquanto o Sudeste domina o setor, com 77,8% das operações, seguido por Nordeste (9,3%) e Sul (8,2%), o Centro-Oeste permanece sub-representado, em um mercado que já ultrapassa R$ 700 bilhões em patrimônio e caminha para a marca de R$ 1 trilhão nos próximos anos.

“O crescimento dos FIDCs no Brasil foi muito concentrado em grandes centros e em emissores tradicionais. O próximo ciclo tende a ser marcado pela interiorização desse mercado, com foco em regiões onde existe demanda real e menos competição”, afirma Guimarães.

De acordo com o levantamento, Goiás, por exemplo, concentra 42,4% das empresas do Centro-Oeste, muitas delas ligadas a cadeias produtivas do agro, logística e indústria de base. Trata-se de um perfil de empresas que, apesar de relevantes economicamente, ainda enfrentam dificuldade de acesso a crédito, observou Guimarães.

Muitas destas empresas antes tinham como principal fonte de crédito o Banco do Brasil, tradicionalmente o maior financiador do agronegócio, mas em meio à restrição no crédito por conta do juro alto, este tomador foi buscar alternativas, observou o Da Matta, o CEO da Audax.

Atualmente, a Audax opera em 20 estados, mas cerca de 45% de suas operações estão concentradas justamente em Goiás. “Hoje, nosso perfil de cliente inclui revendas de fertilizantes, de sementes, de ração, confinadores de gado, uma cadeia do agro que antes era basicamente do BB”, disse Da Matta.

Muito deste crescimento na região também é reflexo das melhorias na tecnologia, que beneficia tanto o investidor quanto o tomador de crédito, observou Da Matta.

Para o produtor, hoje é muito mais fácil tomar crédito porque ele não tem necessidade de se locomover, toda a movimentação pode ser feita online, em contatos por WhatsApp e telefone, disse Da Matta. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos tornam o processo de análise de crédito muito mais eficiente, afirmou Da Matta. Assim, é possível entender melhor o comportamento do tomador e reunir e filtrar essa informação de uma forma bem mais eficaz, acrescentou.

Fonte: Capital Aberto

 

Tudo Sobre FIDCs

O seu portal de notícias e análises sobre o mercado de FIDCs. Reunimos, diariamente, as principais informações sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, mercado de capitais e crédito.

Acompanhe as movimentações, tendências e estratégias que moldam o universo dos FIDCs.

Tudo Sobre FIDCs: conteúdo inteligente para quem acompanha o mercado de FIDCs

O quão foi útil este conteúdo pra você?

Fique por dentro
das principais notícias do mercado financeiro.

    Últimas notícias: