Ofertas de crowdfunding somam R$ 1,1 bi no primeiro trimestre – Finsiders Brasil

  O crowdfunding de investimentos abriu 2026 em ritmo acelerado. As ofertas via plataformas eletrônicas de investimento participativo somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre, alta de 83,3% sobre o mesmo período de 2025, quando o volume foi de R$ 600 milhões. Em número de operações, foram 245, contra 147 no primeiro trimestre do ano…

Investimentos | Imagem: Adobe Photoshop

 

O crowdfunding de investimentos abriu 2026 em ritmo acelerado. As ofertas via plataformas eletrônicas de investimento participativo somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre, alta de 83,3% sobre o mesmo período de 2025, quando o volume foi de R$ 600 milhões. Em número de operações, foram 245, contra 147 no primeiro trimestre do ano passado, crescimento de 66,7%.

Os dados estão no Boletim Econômico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), divulgado nesta quarta-feira (29/4). O relatório (íntegra) é da Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA) da autarquia.

A modalidade, hoje regulada pela Resolução CVM 88, terá em breve novas regras. O tema passou por consulta pública, encerrada em 23/1.

O resultado dos três primeiros meses do ano segue a trajetória de expansão que marcou 2025. No ano passado, as emissões via crowdfunding totalizaram R$ 3,8 bilhões em 835 ofertas, ante R$ 1,2 bilhão em 404 operações em 2024. O segmento conta atualmente com 76 plataformas autorizadas a operar no Brasil, ante 69 ao fim de 2025.

Mercado de capitais

No mercado de capitais em geral, foram emitidos R$ 207,6 bilhões em valores mobiliários no primeiro trimestre deste ano, em 1.164 ofertas. Houve, assim, crescimento de 19,8% no volume financeiro e de 15,8% no número de operações em relação ao mesmo período de 2025.

Outro ponto de destaque foi a retomada das emissões de ações. Foram cinco ofertas no trimestre, com volume financeiro de R$ 13,6 bilhões — valor que já se aproxima do total registrado ao longo de todo o ano de 2025, que foi de R$ 15,5 bilhões.

As debêntures seguiram como o instrumento de maior volume no mercado primário: R$ 86,5 bilhões em 135 ofertas. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) aparecem na sequência, com R$ 33,1 bilhões em 378 operações, e os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) somaram R$ 24,8 bilhões em 101 ofertas. Já no mercado secundário, as médias diárias de volume financeiro em ações (lote padrão), debêntures e FIIs avançaram em relação à média diária de 2025.

Para Bruno Luna, chefe da Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade (ASA) da CVM, os dados evidenciam a “continuidade do processo de expansão” do mercado de capitais no País.

“Observamos algumas emissões de instrumentos acionários, o que é uma sinalização muito positiva, considerando o histórico, a consolidação da indústria de crowdfunding como importante alternativa de financiamento, e um aumento expressivo das emissões em comparação com o mesmo período de 2025″, disse ele, em nota.

Participantes regulados e riscos

O conjunto de participantes regulados pela CVM atingiu 92.929, alta de 0,12% frente ao fim de 2025, quando o total era de 92.818. Os consultores de valores mobiliários lideraram o crescimento entre as categorias com mais de 100 regulados: avanço de 6,4%, de 2.635 para 2.804 profissionais. Os fundos de investimento cresceram 1,5%, de 33.305 para 33.793.

A estimativa para o valor total do mercado regulado chegou a R$ 52,91 trilhões — ou R$ 19,20 trilhões excluindo o valor nocional dos derivativos, crescimentos de 4,3% e 6,7%, respectivamente, frente ao fim de 2025. A capitalização de mercado das ações saltou de R$ 4,77 trilhões para R$ 5,37 trilhões (+12,6%). Já a indústria de fundos de investimento alcançou R$ 11,66 trilhões, alta de 4,8% ante os R$ 11,13 trilhões registrados no último trimestre de 2025.

No mapa de riscos, todos os cinco indicadores registraram variação no trimestre, movimento associado ao cenário externo adverso e à escalada das tensões geopolíticas globais.

O risco de mercado foi o que mais avançou, fechando o trimestre em 2,7 pontos numa escala de 1 a 5 — ante 1,8 no trimestre anterior —, reflexo do aumento de volatilidade nos índices de renda fixa e renda variável. O risco de liquidez também subiu, de 1,8 para 2,0. Já os indicadores de crédito e apetite ao risco recuaram: de 1,9 para 1,0 e de 3,8 para 3,5, respectivamente. O risco macroeconômico avançou de 1,0 para 1,1.

Fonte: Finsiders Brasil

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