Segundo fontes ouvidas pelo Valor, “existe um risco real” de não haver corte das taxas na reunião do BC em janeiro

Após a forte aversão a risco nos mercados globais, os futuros dos índices de Nova York operam em alta e os rendimentos dos Treasuries americanos recuam nesta terça-feira. Com uma agenda internacional mais esvaziada, os investidores devem se concentrar nos dados de produção industrial de outubro. Segundo a mediana das projeções coletadas pelo VALOR DATA, o indicador deve avançar 0,5% em comparação a setembro, com ajuste sazonal.
Os dados ganham destaque depois de o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçar uma postura mais “hawkish” e afastar a possibilidade de cortes de juros em janeiro. Ele afirmou que o papel da autoridade monetária “é ser um pouco mais conservador” e destacou que a economia brasileira apresenta um quadro de sinais mistos e “especialmente complexos”, mesmo após os dados do Caged e da inflação na semana passada terem mostrado arrefecimento.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor, “existe um risco real” de não haver corte das taxas na reunião do BC em janeiro. Ainda assim, a avaliação é que é difícil imaginar que o mercado “abandone completamente a expectativa de redução dos juros tão cedo”.
Nesse contexto, os investidores devem dividir as atenções entre a política monetária, os desdobramentos da crise entre o governo e o Congresso e a pauta fiscal. Hoje, o indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, almoça com senadores da oposição em busca de votos antes da sabatina marcada para a próxima semana.
No âmbito fiscal, o governo deve propor uma mudança na meta das estatais federais em 2026, de forma a acomodar o prejuízo primário dos Correios e evitar um contingenciamento volumoso de recursos do Orçamento do Executivo em pleno ano eleitoral.
No exterior, o mercado acompanha novidades que podem voltar a pressionar as taxas futuras. A sinalização de que o Banco do Japão (BoJ) pode elevar os juros neste mês provocou uma onda de venda de títulos soberanos ontem, elevando os rendimentos e repercutindo na renda fixa doméstica. O movimento levou à disparada dos juros futuros e à queda do Ibovespa. Já o dólar no exterior operava estável no fim do dia, embora tenha passado boa parte do pregão em queda, enquanto por aqui a moeda americana exibiu valorização frente ao real.
Fonte: Valor Econômico
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