Bancos e cartões de crédito respondem por 26,1%; contas básicas, como água, luz e gás, por 22,1%

O Brasil terminou 2025 com 81,2 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 49,7% da população adulta, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O volume total de dívidas ativas chegou a R$ 518 bilhões, patamar que mantém a inadimplência acima dos níveis observados antes da pandemia e reforça os desafios estruturais do crédito ao consumidor no país.
O levantamento mostra que cada inadimplente acumulava, em média, R$ 6.382 em dívidas, distribuídas em quatro compromissos financeiros, com valor médio de R$ 1.593 por dívida. Os números indicam que o problema não está concentrado em atrasos pontuais, mas no acúmulo de parcelamentos ao longo do tempo, muitas vezes com a combinação de diferentes modalidades de crédito.
A composição das dívidas ajuda a explicar o cenário. Bancos e cartões de crédito respondem por 26,1% do total, seguidos por contas básicas, como água, luz e gás (22,1%), e por financeiras, que concentram 19,6% das pendências. O dado reforça que o endividamento atinge tanto o consumo quanto as despesas essenciais do orçamento familiar.
Apesar do quadro adverso, o estudo da Serasa mostra avanço na renegociação. Em dezembro de 2025, foram firmados 5,2 milhões de acordos, com R$ 14,3 bilhões em descontos concedidos. O valor médio das negociações ficou em R$ 697. Na avaliação de Vanderley, a combinação de juros elevados, renda pressionada e crédito mais restrito tende a manter a inadimplência em níveis elevados no curto prazo, mesmo com expectativa de alívio gradual da política monetária ao longo de 2026.
Inadimplência no crédito pessoal pressiona carteiras de FIDCs
O aumento da inadimplência voltou ao centro das atenções no mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com foco nas carteiras de crédito pessoal. A combinação de juros elevados, endividamento recorde das famílias e a expansão de concessões sem garantias vem pressionando a qualidade desses ativos, que se consolidaram como uma alternativa relevante ao financiamento fora do sistema bancário tradicional.
Os FIDCs operam por meio da aquisição de direitos creditórios como parcelas de empréstimos e recebíveis que são transformados em ativos financeiros. No caso do crédito pessoal, o risco é estruturalmente mais alto, já que as carteiras são compostas por empréstimos a pessoas físicas, muitas vezes sem garantias reais.
Segundo dados da Anbima, o patrimônio líquido da indústria de FIDCs já supera os R$ 500 bilhões, impulsionado pelo avanço do consumo e pela ampliação das fontes alternativas de crédito nos últimos anos.
Dados do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas permanece acima de 25%, enquanto a inadimplência no crédito livre sobe desde o segundo semestre de 2024.
Apesar do cenário mais desafiador, o mercado não enxerga um risco sistêmico imediato. A avaliação predominante é de que o setor atravessa um ajuste de ciclo, que tende a separar estruturas bem governadas daquelas focadas apenas em crescimento acelerado.so não queira receber mais conteúdos cancele aqui sua inscrição.
Fonte: Monitor Mercantil
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