Quadra vai auxiliar BRB a estruturar FIDCS de R$ 15 bi

Gestora vai montar veículo com ativos herdados do Master A Quadra Capital, gestora do ex-Credit Suisse Nilto Calixto, firmou acordo com o Banco de Brasília (BRB) para estruturar um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) que herdará parte dos ativos do Master, segundo fontes com conhecimento do assunto. A tarefa, no entanto, não será…

Gestora vai montar veículo com ativos herdados do Master

A Quadra Capital, gestora do ex-Credit Suisse Nilto Calixto, firmou acordo com o Banco de Brasília (BRB) para estruturar um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) que herdará parte dos ativos do Master, segundo fontes com conhecimento do assunto. A tarefa, no entanto, não será simples, como o Valor mostrou ontem.

Em entrevista ao Valor, o CEO do BRB, Nelson de Souza, disse que o banco estima os ativos que herdou do Master em R$ 21,9 bilhões. A instituição está negociando a venda de alguns créditos individuais, que somam cerca de R$ 1,9 bilhão. Assim, sobrariam aproximadamente R$ 20 bilhões. Com o valor de face já descontado e com o crivo da auditoria, devem ser destinados ao FIDC ativos avaliados em cerca de R$ 15 bilhões. Além dos créditos trocados após a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras possivelmente fraudadas, entram no pacote ativos adquiridos anteriormente do Master e outros recebidos em dação de pagamentos.

Segundo noticiou o Pipeline, site de negócio do Valor, fundos de crédito que a Quadra já tem serão investidores desse FIDC, entrando com R$ 4 bilhões na cota sênior. Os outros R$ 11 bilhões serão em cotas subordinadas, detidas pelo BRB. Ou seja, a liquidez imediata para o BRB seria da ordem de R$ 4 bilhões, com uma parcela variável em que o retorno final depende do desempenho da recuperação dos ativos pela gestora.

De acordo com fontes próximas, esse formato do FIDC ainda precisa ser chancelado pelo Banco Central (BC) e estaria vinculado a um esforço de capitalização do acionista controlador do BRB, o governo do Distrito Federal. Como a questão da liquidez é tema de urgência, a expectativa das partes é que não haja oposição do supervisor bancário, desde que a medida seja combinada com uma solução para a situação patrimonial do banco.

Dos R$ 20 bilhões que o BRB tinha de ativos do Master originalmente, cerca de R$ 4,5 bilhões estariam em fundos com participações em empresas como Ambipar, Biomm, Oncoclínicas, entre outras; R$ 3,5 bilhões em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e créditos para empresas; e R$ 12 bilhões em crédito para o varejo, especialmente consignado (Credcesta) e ativos do Will Bank.

Quase metade dos ativos do Master era relativa ao cartão benefício e ao consignado Credcesta, em contratos selados com entes estaduais e municipais. Em um portfólio desses, o trabalho de recuperação é relativamente menor, sendo necessário entender se a formalização dos créditos foi bem constituída e se os convênios estão válidos, afirma um interlocutor.

Como Master e Will estão em liquidação extrajudicial, também há um trabalho de segregar a custódia do Credcesta, porque não houve cessão integral desse portfólio para o BRB. Esse refinamento terá de ser feito com o liquidante.

A Quadra foi fundada em 2016 por Calixto e diz em seu site que gere mais de 35 fundos com mandatos amplos visando a alocação em operações transformacionais e de longo prazo. Ela divide sua atuação em três verticais: riscos jurídicos, como precatórios e financiamento de processos arbitrais; operações estruturadas; e investimento direto em participações societárias. Segundo dados da Anbima, a gestora tem cerca de R$ 7,7 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

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