Renda fixa domina carteiras e patrimônio cresce em 2025. Gestores ampliam exposição em meio a juros elevados

O volume total de recursos administrados por gestores de patrimônio no Brasil atingiu R$ 542,3 bilhões em 2025, registrando crescimento de 7,45% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14/04) pela Anbima. A renda fixa manteve protagonismo nas alocações, concentrando 47% das carteiras e ampliando sua participação em 2,5 pontos percentuais, consolidando…

O volume total de recursos administrados por gestores de patrimônio no Brasil atingiu R$ 542,3 bilhões em 2025, registrando crescimento de 7,45% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (14/04) pela Anbima. A renda fixa manteve protagonismo nas alocações, concentrando 47% das carteiras e ampliando sua participação em 2,5 pontos percentuais, consolidando uma tendência observada desde 2023.

Esse avanço reflete um cenário de juros elevados e maior cautela dos investidores ao longo do ano. A renda fixa, que engloba títulos públicos e privados, FIDCs, fundos e poupança, somou R$ 255,1 bilhões, com alta de 13,6% frente aos R$ 224,6 bilhões registrados em 2024. O movimento indica preferência por ativos mais previsíveis em meio às incertezas macroeconômicas.

“O nível elevado da taxa básica de juros no Brasil e as incertezas econômicas ao longo de 2025 reforçaram as classes de renda fixa e de previdência, ao mesmo tempo em que sugeriram mais cautela para a renda variável e os produtos híbridos. Nesse cenário, localmente, os números refletem a clonsistência da busca dos gestores de patrimônio por esta estratégia”, avalia Tatiana Itikawa, superintendente de Representação de Mercados da Anbima.

A previdência privada também ganhou espaço, com participação subindo de 2,9% para 3,2% e volume total de R$ 17,3 bilhões, avanço de 18,5%. Em contrapartida, os produtos híbridos perderam relevância, com queda de participação de 19,7% para 17% e recuo de 7,6% no volume financeiro, totalizando R$ 92,1 bilhões.

Já a renda variável manteve estabilidade relativa nas carteiras, com participação de 32,1%, embora o volume financeiro tenha crescido 7,2%, alcançando R$ 174,2 bilhões. Esse comportamento sugere que, apesar do ambiente mais desafiador, ainda houve espaço para valorização e aportes seletivos em ativos de risco.

Entre os produtos de renda fixa, os fundos se destacaram com crescimento expressivo de 24,4%, atingindo R$ 74 bilhões. Também avançaram os títulos isentos, como CRAs, CRIs, LCAs, LCIs, LIGs e debêntures incentivadas, que somaram R$ 63,7 bilhões, alta de 9,45%. Outros instrumentos, como CDBs e títulos privados, também apresentaram crescimento, enquanto as debêntures tradicionais foram a exceção negativa, com queda de 28,3%.

Nos produtos híbridos, os fundos estruturados lideraram o desempenho, com crescimento de 16,3%, somando R$ 89 bilhões. Os ETFs tiveram forte expansão de 47,5%, embora ainda representem uma parcela menor. Em sentido oposto, os fundos multimercados registraram retração de 18,4%, refletindo menor apetite ao risco.

“O crescimento dos fundos estruturados chama atenção, porque, em dezembro de 2024, eles já ultrapassavam os demais instrumentos em volume e, mesmo assim, conseguiram crescer 16% em 2025. Provavelmente isso decorre de um conjunto de fatores, como um ambiente regulatório mais organizado e a maior clareza sobre a estrutura e a governança desses produtos, o que favorece a análise e a utilização pelos gestores de patrimônio”, afirma Itikawa.

(anbima)

Fonte: ADVFN

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