Setor de serviço mantém PIB em alta, mas pode ser um risco

Juros altos afetam a capacidade de expansão das empresas de serviços O setor de serviços segue como o principal motor da economia brasileira em 2025. Segundo o IBGE, agosto marcou o sétimo mês consecutivo de crescimento, consolidando uma trajetória de expansão que tem sustentado o PIB, mesmo em meio à combinação de juros elevados, crédito…

Juros altos afetam a capacidade de expansão das empresas de serviços

PIB do segundo trimestre de 2025 foi divulgado na terça-feira (2). Foto: Reprodução

O setor de serviços segue como o principal motor da economia brasileira em 2025. Segundo o IBGE, agosto marcou o sétimo mês consecutivo de crescimento, consolidando uma trajetória de expansão que tem sustentado o PIB, mesmo em meio à combinação de juros elevados, crédito caro e indústria ainda em ritmo moderado.

A leve alta já era esperada pelo Banco Central e reforça uma preocupação que a manutenção do crescimento do setor aumenta as chances de a taxa Selic permanecer elevada por mais tempo. Apesar da desaceleração em outros segmentos, o setor continua aquecido especialmente nas áreas de transporte, tecnologia, saúde e serviços empresariais.

Por que o setor cresce mesmo com juros altos

O consumo de serviços tem comportamento diferente do consumo de bens. Ele é mais recorrente e menos sensível à taxa de juros. Gastos com educação, saúde, tecnologia e mobilidade, por exemplo, costumam se manter mesmo em períodos de aperto monetário, pois atendem a necessidades contínuas.

Em termos práticos, os serviços estão mais próximos da operação diária da economia. Mesmo quando a indústria desacelera, as empresas seguem contratando transporte, manutenção, softwares e suporte técnico. Isso explica por que o setor mantém fôlego, mesmo em um ambiente de crédito restritivo.

Juros e o impacto sobre o crédito

O Banco Central utiliza a Selic como principal ferramenta de política monetária para conter a pressão sobre os preços, incluindo a inflação de serviços. Essa inflação, porém, é resultado de diversos fatores, como reajuste de salários, custos de insumos, regulação e demanda, e não apenas do crescimento do setor.

Ao manter os juros altos, o Banco Central busca desacelerar o consumo e preservar o poder de compra no médio prazo. O efeito colateral é a elevação do custo do crédito, o que reduz a liquidez das empresas e pressiona o capital de giro.

O setor de serviços cresce, mas enfrenta limitações para financiar essa expansão. A margem operacional é, em geral, menor que em setores industriais, e o ciclo de recebimento é mais curto. Isso exige planejamento financeiro preciso e uso inteligente de instrumentos de crédito.

Previsibilidade em tempos de Selic alta

Em um ambiente de juros elevados, o crédito estruturado vem ganhando espaço entre as empresas de serviços. Esse modelo, que inclui operações via Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), permite personalizar prazos, taxas e garantias de acordo com o perfil e o fluxo de caixa de cada empresa.

“O crédito estruturado é um instrumento de expansão, não apenas de alívio. Ele permite crescer com controle e previsibilidade, algo essencial em um ambiente de juros altos”, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike.

Diferentemente do crédito bancário tradicional, muitas vezes atrelado a taxas pós-fixadas e prazos rígidos, os FIDCs oferecem maior previsibilidade e reduzem a exposição à volatilidade.

Isso dá às empresas condições mais estáveis para planejar investimentos e alongar compromissos financeiros. Ao oferecer previsibilidade e acesso alternativo a recursos, pode ser a ponte entre crescimento e estabilidade.

Fonte: Redação

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