Com predomínio de FIDCs, FIIs e FIPs, fundos administrados pela Sefer, liquidada pelo BC, reproduzem teia do Master

Estrutura é formada por uma série de fundos como únicos cotistas de outros fundos, com participações em empresas ligadas ao grupo e investimento em títulos precatórios e também como cotistas de fundos que faziam parte do esquema do banco de Daniel Vorcaro A Sefer Investimentos, liquidada extrajudicialmente pelo BC na última sexta-feira (26), aparece como…

Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A Sefer Investimentos, liquidada extrajudicialmente pelo BC na última sexta-feira (26), aparece como administradora de 73 fundos que contam como “em funcionamento normal” no sistema da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Levantamento feito pelo Valor identificou que a maioria são fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), de investimento imobiliário (FIIs) e de investimento em participações (FIPs).

O perfil das estruturas e das carteiras reproduz o esquema montado pelo Master: uma série de fundos como únicos cotistas de outros fundos, com participações em empresas ligadas ao grupo e investimento em títulos precatórios e também como cotistas de fundos que faziam parte do esquema do banco de Daniel Vorcaro.

O fundo OAK-IPCA, de investimento em cotas de fundos de renda fixa de longo prazo, por exemplo, tem em carteira cotas do FII Aquilla, que participou da rede de fundos usados na aquisição do Banco Máxima (que se tornaria o Banco Master) em 2017. Também tem em carteira cotas do Osasco Properties FII, identificado pela Polícia Federal como da teia do Master e que recebeu aportes de regimes públicos de previdência de dezenas de municípios, junto com o Texas I, o Aquilla, o São Domingos e o Brazilian Graveyard.

Outro exemplo é o CB, multimercado de crédito privado, cotista do Aquilla e do FIP Conquest, investigado no Tribunal de Contas do Estado de Minas (TCE-MG) por perdas no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Uberlândia, segundo relatório de 2023.

Já o Bia, de crédito privado no exterior, com somente um cotista, é 100% formado por cotas do Nazaré Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, que investiu R$ 14 milhões na Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como dona de bens de luxo de Daniel Vorcaro.

Muitos dos fundos apresentados no sistema da CVM também não têm qualquer informação fornecida pela Sefer ao órgão fiscalizador. E ao menos quatro tiveram abstenção da opinião da auditora do balanço. É o caso do Greenland, multimercado de crédito privado, no qual a auditoria afirma que encontrou um ativo superavaliado, “impactando a mensuração do patrimônio líquido e do resultado do exercício, que se encontram superavaliados nesse mesmo montante”.

Já no caso do GS Heritage, multimercado de crédito privado que também aparece na cadeia do Master, a auditoria afirma que não teve acesso a documentos do FIP 5M Capital, uma de suas investidas, que por sua vez tem em carteira ações de companhias fechadas avaliadas em R$ 5,315 milhões, na fatia de 50,60% de seu patrimônio líquido.

“Identificamos que as companhias investidas não tiveram demonstrações financeiras auditadas em seu último exercício social, sendo essas informações essenciais para a asseguração do valor justo dos investimentos apresentados nos laudos de avaliação econômico-financeira. Diante deste contexto, ficamos impossibilitados de obter evidência suficiente e apropriada de auditoria quanto ao investimento do Fundo no FIP 5M Capital.”

Com sede em São Paulo, a Sefer foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero e administra fundos ligados aos possíveis esquemas de fraude no Banco Master. Segundo o Ministério Público, ela é controlada por Benjamin Botelho, ex-funcionário do Banco Garantia, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto de Daniel Vorcaro e figura central do esquema de fraudes do Banco Master. De acordo com a PF, boa parte das operações suspeitas envolvendo o Master passa por empresas ligadas a Botelho e a Sefer.

Procurada, a Sefer não respondeu ao pedido de comentário do Valor.

Fonte: Valor Econômico

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