Nima surge em um contexto de transformação na estrutura do mercado brasileiro de recebíveis

Vivian Lee, ex-sócia da Ibiuna e responsável pela estratégia de crédito da casa por cinco anos, criou uma nova gestora de olho em oportunidades no crédito estruturado. A executiva, que tem passagens por Itaú e Santander, se uniu a Mario de Barros, ex-Jaguar e Patria e presidente do conselho da Opea, para desenvolver a Nima, asset voltada para fundo como os de direitos creditórios (FIDCs).
A estratégia será investir em ativos de crédito privado de curto e médio prazo, com foco em recebíveis comerciais B2B, como duplicatas, e em estruturas de risco sacado, nas quais a obrigação de pagamento recai sobre compradores com histórico e capacidade financeira comprovados.
A Nima surge em um contexto de transformação na estrutura do mercado brasileiro de recebíveis, com a implementação da duplicata escritural. O mercado está próximo de iniciar a fase de operação assistida desse novo instrumento, que é a última etapa antes da implementação concreta. Como mostrou o Valor nesta semana, a expectativa é que o período de produção controlada comece entre junho e julho, após a autorização do Banco Central. Um ano após essa fase, o uso da duplicata no novo formato será obrigatório para empresas de grande porte, avançando de forma escalonada para médias e pequenas companhias.
“A duplicata escritural deve aumentar a segurança jurídica das operações de desconto dos recebíveis e, com isso, ampliar o interesse dos investidores institucionais em financiar uma cadeia que movimenta trilhões de reais por ano”, diz Lee.
Segundo a executiva, a ideia de criar a gestora surgiu a partir de uma lacuna observada no mercado em relação ao monitoramento dos ativos de crédito. “Antes, quando estava com o chapéu de investidor institucional, investia em créditos estruturados. Na época, percebi que havia bastante transparência até o momento de alocar, mas que o monitoramento a partir dali era pouco eficiente”, afirma. “A ideia agora é entregar para o mercado, por meio de uso intensivo da tecnologia, mais monitoramento e transparência, dando ao investidor a segurança de que ele não está investindo em uma caixa-preta.”
Um dos primeiros fundos da Nima deve ser um FIDC em parceria com a Yunus Negócios Sociais. O plano é usar tecnologia e mercado de capitais para criar uma estrutura de financiamento para cadeias produtivas de impacto socioambiental por meio da antecipação de recebíveis. “Vamos mapear grandes sacados e, a partir deles, buscar fornecedores a partir de um recorte que a Yunus ainda irá definir, como gênero, raça ou tese de descarbonização”, diz. “A gestora entra com a inteligência tecnológica e estruturação de crédito institucional, e a Yunus assume a curadoria do impacto e a capacitação da cadeia de valor.”
Fonte: Valor Econômico
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