FIDCs de precatórios avançam como opção na renda fixa

  Bruno Barreto Guerra, fundador e Co-CEO da Precato Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) focados em precatórios ganham força e viram mais uma opção de diversificação para o investidor de renda fixa no Brasil. Os precatórios são ordens de pagamento emitidas pela Justiça quando o governo (federal, estadual ou municipal) ou suas…

 

Precatorio, FIDCs de precatórios avançam como opção na renda fixa, Capital Aberto
Bruno Barreto Guerra, fundador e Co-CEO da Precato

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) focados em precatórios ganham força e viram mais uma opção de diversificação para o investidor de renda fixa no Brasil.

Os precatórios são ordens de pagamento emitidas pela Justiça quando o governo (federal, estadual ou municipal) ou suas instituições perdem uma ação judicial de forma definitiva e são obrigados a quitar a dívida.

De acordo com dados do Ministério do Planejamento e Orçamento, os precatórios federais cadastrados até 1º de fevereiro deste ano totalizam R$ 44,9 bilhões. Esse montante, previsto para ser pago em 2027, está distribuído em 117.855 ordens judiciais e atende a 209.622 beneficiários.

Os precatórios de até R$ 1 milhão representam a maioria das solicitações para 2027, de acordo com o relatório “Despesas com Sentenças Judiciais – Precatórios”. Esse grupo soma 115.395 pedidos, o que equivale a 97,9% do total, com um valor acumulado de R$ 23,9 bilhões.

FIDCs de precatórios têm grande potencial de crescimento

Levantamento da Quick Soft aponta que o precatório ocupa a quinta posição entre os tipos de recebíveis mais citados em regulamentos de FIDCs, constando em 358 documentos.

Embora o número ainda seja tímido, ele representa pelo menos 10% de toda a indústria de FIDCs, sinalizando o interesse crescente do mercado por esse ativo, de acordo com Lucas Fiuza, Co-CEO da Quick Soft, empresa de tecnologia focada no mercado brasileiro de FIDCse de antecipação de recebíveis.

No universo de precatórios pulverizados, o nível de cessão de recebíveis destes títulos ainda é muito pequeno, na ordem de apenas R$ 2,5 bilhões, estimou Bruno Guerra, fundador e CO-CEO da Precato. Este universo inclui aqueles precatórios de até R$ 1 milhão.

A Precato, uma fintech especializada na compra e antecipação de precatórios no país, já intermediou mais de R$ 1,8 bilhão em antecipações de precatórios em sete anos de operação. “Este é um mercado ainda muito recente e que vai crescer muito à medida que se disseminam mais informações sobre o assunto”, afirmou Guerra.

Tradicionalmente, as disputas judiciais que mais geram precatórios são as relacionadas à discussão previdenciária, segundo Guerra. Isso inclui servidores públicos ou aposentados, com um perfil muito próximo ao do tomador de crédito consignado, acrescentou.

Precato avança no mercado de FIDCs de precatórios

A Precato compra cerca de três mil precatórios por ano de pessoas físicas, normalmente até a marca de R$ 3 milhões. A estratégia da Precato inclui comprar as cotas subordinadas, ficando com o risco da operação, e vender a mercado as cotas sêniores e mezzaninos, ele explicou.

“Quando iniciamos a Precato, eu e o meu sócio André Sana, já fizemos o primeiro FIDC em sociedade com a TAG”, contou Guerra.

Desde o primeiro ano até 2025, a Precato vem registrando crescimento médio de 50% ao ano. “E crescemos junto com o próprio mercado, que vem amadurecendo”, afirmou Guerra.

A Precato tem seis FIDCs estruturados em conjunto com a gestora TAG Investimentos. No Precato IV, emitido no começo deste ano, a empresa captou R$ 100 milhões em recursos para investir na compra de precatórios em seu primeiro FIDC para investidores qualificados.

A TAG e a Precato sempre trabalharam com os FIDCs não padronizados, mas a resolução CVM 175 abriu espaço para que fundos com precatórios sejam enquadrados para investidores qualificados, explicou Ítalo Fais é sócio e gestor na TAG Investimentos.

“Nós vemos o mercado crescendo e a regulação acompanhando este crescimento, permitindo cada vez mais a entrada de diferentes perfis de investidores”, explicou Fais.

Tempo da Justiça impulsiona mercado de créditos judiciais

Precatorio, FIDCs de precatórios avançam como opção na renda fixa, Capital Aberto

Para Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios, esse mercado ganha relevância porque a necessidade de caixa dos credores não acompanha o ritmo da Justiça. “O crédito judicial nasce de uma vitória, mas nem sempre essa vitória chega quando a pessoa ou a empresa mais precisa de caixa”, observou Matos.

Com a cessão do crédito, o comprador ou investidor assume a posição de novo credor do ente público, observou Matos. Desta forma, ele adquire o direito de receber o valor integral do título, acrescido de correção monetária e juros moratórios, conforme os critérios legais da ação.

“A compra desses créditos permite transformar um direito reconhecido em liquidez, com análise técnica, segurança jurídica e previsibilidade para quem prefere receber antes em vez de continuar aguardando uma fila que pode levar anos”, afirmou Matos.

 

Fonte: Capital Aberto

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