FIDCs pagam até 200 bps a mais que debêntures por liquidez menor e estrutura jurídica distinta

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) entregam retornos até 200 pontos-base acima de debêntures com risco equivalente, segundo Jean-Pierre Cote Gil, sócio e gestor da Vinland Capital. O diferencial não reflete maior risco de crédito, mas sim menor liquidez, maior complexidade de análise, baixa concorrência entre gestores e um mercado secundário ainda incipiente.
Por que o prêmio existe
A estrutura jurídica dos FIDCs é um dos pilares que sustentam a tese da Vinland. Quando o fundo adquire uma carteira de recebíveis, aquele ativo já pertence ao veículo. Não é necessário acionar a Justiça para executar garantia contra a empresa originadora em caso de falência. Enquanto os devedores da carteira continuarem pagando, o fundo recebe normalmente.
‘Em tese, o FIDC, como é um veículo que compra o crédito, você não tem que executar contra a empresa aquele ativo que já foi adquirido pelo fundo. Já é do fundo’, afirmou Cote Gil em entrevista ao programa Stock Pickers.
A cessão dos recebíveis precisa estar bem formalizada e o papel do emissor ao longo do programa de securitização precisa ser auditado. Quando a estrutura está corretamente montada, as vantagens são concretas.
O custo do prêmio extra
O retorno adicional tem contrapartidas relevantes. Há menos gestores comprando esses ativos, a negociação no mercado secundário é mais difícil e a marcação a mercado complica fundos com janelas de resgate curtas.
‘Você não negocia um FIDC tão facilmente, mesmo sendo de uma boa empresa, com ágio ou deságio’, reconheceu o gestor.
Para quem tem horizonte de investimento adequado e capacidade analítica para avaliar cada operação, o retorno adicional justifica o esforço. ‘Os prêmios que a gente obtém nos FIDCs do mesmo nível de risco chegam a 100, 200 pontos-base acima ao ano de retorno. É muito retorno na mesa’, destacou Cote Gil.
Consignado CLT: entre o privado e o público
Entre os tipos de crédito que compõem as carteiras dos FIDCs, o consignado federal ocupa posição de destaque na análise da Vinland pelo histórico longo e comportamento mais previsível. O consignado privado CLT fica em posição intermediária.
‘O erro na primeira leitura que muita gente teve do consignado CLT foi imaginar que ele era um consignado federal um pouquinho pior. Na verdade, para a gente, ele é um consignado privado um pouquinho melhor, porque tem a formalização com o empregador, tem os descontos diretamente do FGTS’, avaliou Cote Gil.
A inadimplência do consignado CLT é mais elevada do que no consignado público, mas significativamente inferior à do crédito pessoal sem garantia, que registra perdas entre 30% e 40%. Para carteiras com perdas esperadas mais altas, a equação passa pela subordinação embutida na estrutura e pelo spread da carteira.
Como a Vinland captura o prêmio
Operações menores, feitas de forma privada, sem banco coordenador e com menos concorrência, permitem à gestora capturar retorno adicional. A Vinland participa de emissões de R$ 100 milhões, entrando com R$ 50 milhões ao lado de dois ou três outros investidores. ‘A gente consegue extrair um pouco mais de retorno na cota que está alocando’, disse o gestor.
A prateleira da Vinland Capital inclui fundo aberto com resgate em 30 dias e um fundo de infraestrutura listado em bolsa. A gestora tem cerca de quatro anos de existência e posiciona os FIDCs como uma das principais teses de investimentos em crédito privado no Brasil.
Fonte: Space Money
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