Há preconceito com FIDC, mas mercado tem muitas oportunidades, diz Itaú Asset

Desde o ano passado, os FIDCs passaram a ser acessíveis também aos investidores pessoa física, após um longo período restrito a investidores profissionais e fundos de investimento Apesar do preconceito ainda associado à própria palavra FIDC no mercado, os fundos de direitos creditórios são veículos com grande potencial de crescimento, na avaliação de Fayga Delbem,…

Desde o ano passado, os FIDCs passaram a ser acessíveis também aos investidores pessoa física, após um longo período restrito a investidores profissionais e fundos de investimento

Foto: Pixabay

Apesar do preconceito ainda associado à própria palavra FIDC no mercado, os fundos de direitos creditórios são veículos com grande potencial de crescimento, na avaliação de Fayga Delbem, sócia e superintendente de crédito da Itaú Asset.

O FIDC, por si só, não define o risco da operação, que depende essencialmente da estrutura adotada, disse. “Há operações com risco muito baixo, próximo ao de grandes bancos, assim como estruturas de maior risco”, afirmou durante apresentação no Latin America Investment Conference, organizado pelo UBS BB.

Segundo Fayga, a possibilidade de “trancheamento” das operações — com a criação de séries sêniores mais protegidas, além de tranches mezaninas ou subordinadas, que assumem maior risco e oferecem retorno potencialmente mais elevado — torna esses fundos especialmente atrativos.

Desde o ano passado, os FIDCs passaram a ser acessíveis também aos investidores pessoa física, após um longo período restrito a investidores profissionais e fundos de investimento. “É um mercado com muita oportunidade, mas que demanda gestão profissional, um time de análise qualificado, conhecimento profundo dos ativos e monitoramento constante dos riscos”, disse.

Pierre Jadoul, diretor-executivo e gestor responsável pela estratégia de crédito privado da ARX, afirmou que, em toda a classe de crédito, o principal atrativo já não está mais nos spreads. “Talvez nos estruturados ainda seja possível conseguir um pouco mais de spread, mas mesmo o FIDC já foi muito melhor”, pontuou durante o painel.

Segundo ele, o maior valor hoje está na exposição aos juros reais brasileiros. “Temos um juro real claramente insustentável”, afirmou. “Na minha visão, os juros reais, sobretudo com títulos isentos, são provavelmente um dos poucos veículos locais que protegem o investidor em um cenário muito ruim, caso o Brasil não faça o dever de casa e não ajuste o fiscal.”

Já Paulo Bokel, responsável pela área de crédito da Absolute Investimentos, disse ver boas oportunidades nos fundos de debêntures incentivadas. “Diferentemente de quem compra o papel diretamente, nesses fundos é possível adquirir ativos tributados e alocá-los dentro do fundo”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a renda fixa deve continuar no radar dos investidores em 2026, mas o movimento tende a ser mais de manutenção do que de aumento das alocações. “Acho que os portfólios já estão bem alocados em crédito, de forma geral. Além disso, olhando para as emissões, acredito que este ano será bem difícil chegar perto do volume registrado em 2025”, disse Bokel.

Segundo ele, grande parte das empresas já reperfilou suas dívidas, trocando passivos antigos por novas emissões. Com isso, muitas companhias devem adotar uma postura mais cautelosa, “olhando o mercado para ver o que tem para acontecer”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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