O avanço dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) nos últimos anos tem chamado a atenção de gestores e investidores de diferentes perfis. Em menos de dois anos, quase 1500 fundos foram registrados junto à Comissão de Valores Mobiliários e, de acordo com dados da ANBIMA, até o final de novembro, o total de FIDCs no mercado doméstico superou a marca de 3.700.
A categoria possui uma série de particularidades, desde a estrutura das cotas, os prazos de investimentos, os agentes envolvidos e a própria regulamentação. A razão para todas essas singularidades está exatamente em uma regra estrutural que diferencia um FIDC de qualquer outro investimento. Todo FIDC deve ter ao menos 50% de seu patrimônio direcionado a direitos creditórios.
Dada a natureza da operação, considerando que o fundo antecipa os valores a receber de uma empresa e dependerá da efetivação destes pagamentos pelos sacados para remunerar os investidores, o cuidado na originação deve ser sempre o ponto de partida. Estruturar um FIDC, mesmo com todas as singularidades e detalhes minuciosos, pode até parecer ser simples. Mas estruturar um FIDC com uma carteira capaz de se tornar um investimento bem-sucedido dependerá, fundamentalmente, da qualidade dos ativos que serão utilizados e da estrutura de mitigação de riscos.
Partindo do pressuposto que o FIDC é uma alternativa complementar ao crédito bancário para empresas que buscam funding, o gestor de um FIDC precisa ser especialista em soluções de crédito estruturado. Somente com esta expertise, ele poderá, a partir do perfil e da necessidade da empresa, identificar o melhor produto estruturado para realizar a operação de crédito. Pode ser, por exemplo, o desconto de duplicatas, a emissão de uma debênture ou de uma Cédula de Produtor Rural (CPR). Além disso, deve-se selecionar parceiros com track record no ativo envolvido e realizar um rigoroso processo de due dilligence, para uma avaliação consistente dos ativos que serão o lastro da operação. Importante também considerar o aspecto tecnológico, especialmente quando se trata de carteiras e lastros pulverizados e com alta volumetria.
Atuar dentro de aquários previamente definidos, nos quais há uma ampla expertise e melhor gestão de risco, é mais uma estratégia eficaz para a originação de qualidade. Trazer a empresa originadora do recebível para assumir parte do risco, sendo corresponsável pelos investimentos, é outro ponto que representa uma grande diferença entre as carteiras com boa performance. Ao manter a empresa originadora entre os cotistas subordinados, qualquer inadimplência será primeiramente absorvida pela própria empresa, na qualidade de cotista, que originou o recebível.
Com esta curadoria, é possível criar parcerias sólidas, com o relacionamento muito próximo e um monitoramento contínuo de todas as operações. A estruturação jurídica, financeira, regulatória e de risco acontecem posteriormente, assim como a definição de todos os acompanhamentos que serão realizados e as estratégias para os diferentes cenário.
Principalmente empresas de médio e grande porte, que são empresas bancarizadas, saudáveis, normalmente com gestão familiar, que não acessam o mercado de capitais de forma regular, têm encontrado nos FIDCs uma alternativa para estruturar a sua própria área de crédito, financiando compradores, distribuidores e revendedores. E muito mais que proporcionar funding, os FIDCs devem auxiliar os originadores para estruturação de uma área de crédito saudável e sustentável, agregando expertise em toda a jornada de cobrança e estrutura tecnológica para suportar as operações.
Quando originador e gestor estão do mesmo lado da mesa, cria-se uma relação sólida e de confiança. E é exatamente esta proximidade que garantirá a oferta de oportunidades de investimentos com resultados positivos e consistentes no médio e longo prazos.
Fonte: Investing
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