
O Banco Central (BC) decretou a liquidação da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) nesta sexta-feira (26/6). A suspeita, segundo informações do Broadcast, é que Benjamin Botelho de Almeida, dono da empresa, tenha atuado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A empresa foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2024 e ainda em andamento. As investigações apuram um esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master. A suspeita da PF é que Benjamin tenha agido como “cérebro” por trás do esquema de fundos de investimentos e de compra e venda de títulos podres do Master.
Por que a Sefer foi liquidada pelo BC
De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial foi decretada porque a distribuidora enfrentava uma grave deterioração financeira. A instituição também expôs credores sem garantias reais (quirografários) a um risco considerado anormal e descumpriu normas que regulam sua atuação.
A Sefer, no entanto, faz parte do segmento S4 da regulação prudencial, destinado a instituições financeiras de médio e pequeno porte. Na prática, isso significa que ela tem baixa participação no Sistema Financeiro Nacional (SFN). A empresa responde por menos de 0,0004% dos ativos do sistema e administra cerca de 0,17% dos recursos de terceiros.
Quem é a Sefer
A Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) iniciou as atividades em 1994 e tinha sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo. A instituição prestava serviços de administração fiduciária, custódia de ativos e distribuição de produtos de investimento. Ao longo da trajetória, integrou a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) desde 2005 e seguia os códigos de autorregulação da entidade.
No controle societário, a holding Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda. comandava a instituição desde dezembro de 2006. Já os registros públicos apontam que Diego Gomes Ferreira, Beniamino Gaiofatto e Ricardo Veles assumiram a administração em março deste ano, poucos meses antes de o BC decretar a liquidação extrajudicial.
Os documentos também mostram uma troca recente na gestão da DTVM. Até o momento, os registros públicos não permitem identificar quem são os sócios da holding controladora.
Postura rígida
O movimento ganhou força em 2025 e se intensificou em 2026. Além da Sefer, o BC decretou neste ano a liquidação extrajudicial da cooperativa de crédito Creditag, em abril, por grave comprometimento da situação econômico-financeira. No fim do mesmo mês, também liquidou a Frente Corretora de Câmbio, após identificar deterioração financeira e graves violações às normas que regulam sua atividade.
Em janeiro, a autarquia também decretou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Reag Trust DTVM), enquadrada no segmento S4, e do Banco Pleno (ex-Voiter). Ao todo, o BC liquidou 12 instituições apenas nos cinco primeiros meses de 2026. Foi o maior número registrado para um único ano desde 2012.
Fonte: Finsiders Brasil
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