Levantamento da plataforma Bloxs aponta montante de R$ 649,3 bilhões em ofertas públicas de janeiro a junho deste ano, alta de 80,7% ante o mesmo período de 2025

O mercado de capitais brasileiro registrou R$ 649,3 bilhões em ofertas públicas de janeiro a junho deste ano, em 1.917 operações, crescimento de 80,7% frente aos R$ 359,4 bilhões do mesmo período de 2025, quando houve 1.852 ofertas. É o maior volume semestral da história do setor no país, segundo relatório da plataforma de crédito Bloxs, com base em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) tiveram o maior número de operações, com 763 ofertas que totalizaram R$ 63,5 bilhões, crescimento de 9,5% sobre os R$ 58 bilhões do primeiro semestre de 2025. Já as debêntures somaram o volume financeiro mais alto, com R$ 131,8 bilhões em 223 ofertas, um recuo de 18% frente aos R$ 160,7 bilhões do primeiro semestre de 2025 (262 ofertas).
Segundo a Bloxs, a redução nas debêntures reflete a base de comparação elevada do ano anterior, quando emissões de alto valor de grandes corporações puxaram o volume total. Já os FIDCs, prossegue o relatório, consolidaram-se como o instrumento mais democrático de acesso.
As emissões com classificação de risco AAA e AA respondem por parcela estimada entre 70% e 75% do volume total de debêntures. Corporações com faturamento acima de R$ 1 bilhão ao ano concentram a maior parte das emissões, enquanto empresas de médio porte (faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão) recorrem predominantemente a Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs), FIDCs e notas comerciais.
O patrimônio líquido agregado dos FIDCs ultrapassou a marca de R$ 700 bilhões em 2026. E as notas comerciais, conforme a análise da Bloxs, se tornaram um relevante instrumento de curto prazo para empresas de médio porte, com tíquete médio estimado em R$ 289 milhões (R$ 31,2 bilhões divididos por 108 ofertas).
Os CRIs mantiveram estabilidade com R$ 16,0 bilhões em 221 ofertas, e os CRAs registraram queda relevante, com R$ 4,5 bilhões em 46 ofertas, de acordo com o relatório. “O recuo reflete a safra 2025/2026 mais restritiva e a cautela dos investidores institucionais com o agronegócio após eventos de crédito no setor”, explica o texto.
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) captaram R$ 56,6 bilhões em 210 ofertas. As gestoras, detalha o relatório, aproveitaram a recuperação no início do ano para fazer novas emissões de fundos de recebíveis e de tijolo.
Fonte: Valor Econômico
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