Mesmo com queda do dólar e sinais de desaceleração da inflação e atividade, Copom preferiu ignorar boas notícias para inflação
“Se for errar, que seja pelo excesso”. Esse parece ser o tom do Banco Central presidido por Gabriel Galípolo a um ano das eleições presidenciais no Brasil.
Ao contrário da expectativa de parte do mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) optou por um tom duro, preocupado com a inflação brasileira no comunicado divulgado na noite de quarta-feira (17).
Mesmo com a queda consistente do dólar nos últimos meses e sinais repetidos de desaceleração da inflação e atividade, o BC preferiu ignorar as boas notícias para a inflação e manteve a cautela. Foi hawkish, como dizem no mercado financeiro.
O comunicado conhecido ontem à noite mostra que o BC segue preocupado com o mercado de trabalho. A atividade econômica, diz o Copom, até dá sinais de moderação, mas o mercado de trabalho não.
Conhecemos nesta semana o desemprego, que atingiu o menor patamar da série histórica. O dado do IBGE mostra também que a renda dos trabalhadores e a massa salarial continuam crescendo acima da inflação.
Com mais gente trabalhando e bolsos com mais reais, a demanda segue aquecida – a despeito do juro de 15% ao ano. Se o fenômeno fosse visto apenas na compra de mercadorias, a economia conseguiria amenizar a pressão com importados.
Toda essa demanda, porém, pressiona especialmente os serviços – e não é possível importar um corte de cabelo ou uma hospedagem. Os hotéis de Belém nos lembram disso.
Nesse caso, é preciso esperar o efeito da taxa de juros de 15%. E isso, segundo os economistas, só deve ficar mais claro ao longo dos próximos meses.
Por isso, o BC prefere esperar.
A espera parece ainda mais razoável e adequada se pensarmos em 2026. No ano que vem, a eleição presidencial vai centralizar todas as atenções no Brasil. A expectativa é de uma disputa acirrada e pelo menos as pesquisas preliminares não indicam um vencedor claro.
Para o BC, o cenário de 2026 pode ser traduzido em duas palavras: incerteza e volatilidade.
E, assim, a cautela de hoje poderá fazer muito sentido na turbulência de amanhã.
Fonte: CNN Brasil
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