Após ciclo de M&As, Nitro reforça aposta em (mais) biológicos para crescer quase 20% no agro

Companhia, que consolidou presença no agronegócio por meio de aquisições, agora projeta faturar R$ 1,2 bilhões em vendas par o setor em 2026, com expansão orgânica e lançamento de novos produtos A companhia paulista Nitro, tradicional no segmento químico e que, nos últimos anos, expandiu sua atuação para os mercados de fertilizantes especiais e bioinsumos,…

Companhia, que consolidou presença no agronegócio por meio de aquisições, agora projeta faturar R$ 1,2 bilhões em vendas par o setor em 2026, com expansão orgânica e lançamento de novos produtos

A companhia paulista Nitro, tradicional no segmento químico e que, nos últimos anos, expandiu sua atuação para os mercados de fertilizantes especiais e bioinsumos, entrou em uma nova fase de sua estratégia de crescimento.

Após consolidar sua presença no agronegócio por meio de uma sequência de aquisições ao longo dos últimos seis anos – foram quatro empresas compradas, além da aquisição de participações societárias e de parcerias com agtechs –, a companhia colocou o ciclo de M&As em segundo plano para concentrar esforços na expansão orgânica dos negócios.

A nova estratégia é adotada num momento em que o agronegócio já se tornou um dos principais motores de crescimento da Nitro. A divisão encerrou o ano passado com faturamento de cerca de R$ 1 bilhão, equivalente a praticamente metade da receita total da companhia, de R$ 2,3 bilhões. Há seis anos, antes do início da estratégia de aquisições, a operação agro faturava menos de R$ 100 milhões.

A estratégia da Nitro agora é pautada por capturar as sinergias dos ativos incorporados, fortalecer a estrutura comercial e ampliar o portfólio de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade das lavouras, com foco especial nos bioinsumos.

“Agora a gente vê um crescimento orgânico, sem necessidade de novas aquisições, visto as unidades que a gente já tem”, afirmou Pedro Torsone, diretor de vendas e marketing da Nitro, em entrevista ao AgFeed.

Essa estratégia deve levar a empresa a expandir em cerca de 16% sua receita originada na divisão de agro neste ano, segundo Torsone.

A expectativa é que o faturamento avance de cerca de R$ 1 bilhão registrado no ano passado para aproximadamente R$ 1,2 bilhão neste ano.

O desempenho chama a atenção por acontecer em meio a um momento de forte pressão sobre o agro, com produtores de todo o Brasil atravessando restrições de crédito, adversidades climáticas, aumento dos custos de produção e margens mais apertadas.

Para Torsone, é justamente nesse ambiente que produtos que, segundo ele, são capazes de elevar a produtividade ganham relevância e fazem com que a empresa se destaque no mercado.

“As duas últimas safras realmente têm sido bastante desafiadoras para o produtor, principalmente no sentido de rentabilidade. A melhor forma de a gente ajudar o agricultor é fazendo com que ele tenha uma maior rentabilidade”, afirmou.

É nesse sentido que a companhia não alterou seu calendário de lançamentos de novos produtos e está trazendo agora ao mercado o bionematicida Elmo Max, que exigiu um investimento de R$ 10 milhões. Antes disso, também neste ano, a Nitro trouxe aos produtores o regulador de crescimento Stay Up, voltado para culturas como soja e feijão.

Ambos os produtos foram lançados com a ideia de fortalecer o portfólio da companhia. No caso do bionematicida, a ideia é que o novo item ajude a consolidar o segmento de biológicos da companhia, que a Nitro vê como importante avenida de crescimento para os próximos anos.

Hoje, os biológicos representam cerca de 15% da receita do agronegócio da Nitro, enquanto fertilizantes de solo especiais, enxofre e micronutrientes de solo respondem por 25% e insumos de nutrição foliar e fisiológica por 60%.

A meta da companhia é fazer com que os bioinsumos dobrem de participação no total e atinjam aproximadamente 30% do faturamento nos próximos anos.

Isso não quer dizer que as demais linhas de produtos fiquem em segundo plano. Mas o planejamento da Nitro é de que os bioinsumos registrem as maiores taxas de expansão.

“O nosso plano é continuar crescendo em todas as linhas, atingir taxas de crescimento acima para biológicos e foliares e taxas de crescimento menores para fertilizantes de solo especiais”, disse.

Torsone argumenta que a estratégia leva em consideração o fato de que o mercado de biológicos ainda atravessa uma fase de expansão no Brasil.

“Existe um potencial de crescimento ainda no Brasil muito grande em duas grandes frentes: tem o produtor que ainda não adere a bioinsumos, e ele vai começar a aderir, e tem o produtor que já adere, mas que ele adere pouco, usa pouco por hectare”, analisa.

Já os mercados de fertilizantes especiais e nutrição vegetal apresentam um nível de adoção muito maior, o que naturalmente reduz o espaço para avanços tão expressivos quanto os esperados para os biológicos.

“O grupo de produtores que aderem ao uso dessas tecnologias já é praticamente a totalidade dos produtores”, diz Torsone.

Para sustentar a expansão da área de biológicos e das demais linhas de negócios, a Nitro investe o equivalente a cerca de 2% da receita em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), segundo Torsone.

O esforço tem se refletido na ampliação do portfólio, que hoje reúne cerca de dez bioinsumos. “A gente tem um desafio interno nosso aqui de lançar pelo menos duas tecnologias ao ano para o agricultor”, afirma.

Apesar da ampliação do portfólio, a estratégia da empresa nos biológicos, no entanto, não exige novos aportes de expansão industrial no curto prazo, diz Torsone.

No ano passado, a Nitro inaugurou uma fábrica de bioinsumos em seu parque industrial de Várzea Paulista (SP), que exigiu um investimento de cerca de R$ 50 milhões.

Na planta, que tem capacidade de produção de 1 milhão de litros de bactérias por ano, atualmente são produzidos o Elmo Max e também o biofungicida Égide Max, lançado no ano passado.

Hoje a unidade opera com aproximadamente 50% de sua capacidade instalada, volume que é considerado suficiente para atender ao crescimento projetado para os próximos três anos, segundo Torsone.

Além disso, a empresa também já dispõe de capacidade instalada suficiente nas demais linhas de produção para sustentar o plano de expansão até o fim da década, sem necessidade de novas aquisições ou construção de fábricas.

Em paralelo à expansão comercial, a Nitro também vem reforçando sua frente financeira, ampliando as alternativas de financiamento oferecidas aos produtores rurais.

Em setembro do ano passado, a companhia apresentou ao mercado um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Na operação, foram emitidos R$ 200 milhões em diferentes tipos de cotas, divididos entre R$ 150 milhões em cotas sêniores, R$ 40 milhões em cotas subordinadas mezanino e R$ 10 milhões em cotas júnior. A gestão do fundo ficou a cargo da Opea, enquanto a emissão foi coordenada pelo Banco Votorantim.

Os demonstrativos mais recentes do veículo, referentes a fevereiro, mostram que o fundo tem um patrimônio líquido de R$ 140 milhões.

A carteira somava R$ 124,9 milhões, sendo R$ 118,2 milhões em créditos adimplentes e R$ 6,6 milhões em créditos inadimplentes, o equivalente a 4,77% do total.

A criação do novo FIDC já fazia parte dos planos da companhia. Em entrevista ao AgFeed no início de 2025, o ex-CEO da Nitro, Marcos Cruz, havia antecipado a intenção de lançar um novo veículo para ampliar a oferta de crédito aos clientes.

O fundo se soma a outra estrutura de FIDC mantida pela empresa desde 2023 em parceria com o Itaú, que iniciou suas operações com capacidade de R$ 250 milhões por ano.

No balanço anual divulgado em setembro do ano passado, o fundo reportou patrimônio líquido de R$ 53 milhões e lucro líquido de R$ 19,8 milhões.

Fonte: AG Feed


Tudo Sobre FIDCs

O seu portal de notícias e análises sobre o mercado de FIDCs. Reunimos, diariamente, as principais informações sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, mercado de capitais e crédito.

Acompanhe as movimentações, tendências e estratégias que moldam o universo dos FIDCs.

Tudo Sobre FIDCs: conteúdo inteligente para quem acompanha o mercado de FIDCs

O quão foi útil este conteúdo pra você?

Fique por dentro
das principais notícias do mercado financeiro.

    Últimas notícias: