O mercado de capitais brasileiro atravessa um momento de expansão estruturada e estratégica. Empresas de médio e grande porte, pressionadas pela concentração bancária e pelos juros elevados, têm buscado alternativas que ofereçam previsibilidade, custo competitivo e aderência ao fluxo de caixa. Nesse cenário, o crédito estruturado surge como solução diferenciada, permitindo que as companhias acessem capital de forma alinhada ao seu ciclo financeiro.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) assumem papel central nesse modelo. Ao transformar recebíveis em ativos elegíveis para captação, eles funcionam como a principal porta de entrada para o crédito estruturado, fornecendo recursos que financiam crescimento, alongamento de passivos e capital de giro, sem comprometer a estrutura de endividamento das empresas.
O mercado demonstra confiança nesse instrumento. O patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 10% nos primeiros seis meses de 2025 e atualmente alcançou R$715 bilhões, ocupando a segunda posição em captação líquida entre fundos. Para o segundo semestre, a expectativa é de captação líquida adicional de R$64 bilhões, refletindo a consolidação desse modelo no Brasil.
Crescimento do crédito estruturado
O crédito estruturado atrai empresas por oferecer condições de captação mais competitivas, alinhamento ao ciclo financeiro corporativo e mecanismos de proteção que dificilmente se encontram no crédito tradicional.
Na prática, os FIDCs adquirem carteiras de recebíveis, como duplicatas, parcelas de empréstimos, aluguéis e outros, convertendo-os em capital imediato para as empresas. Para os investidores, esses fundos oferecem diversificação e geração de renda, equilibrando retorno e risco.
Além disso, o crescimento do crédito acompanha tendências globais. Em economias desenvolvidas, fundos de recebíveis desempenham papel central no financiamento privado. No Brasil, a originação de FIDCs cresce de forma consistente, especialmente em setores intensivos em capital, como agronegócio, construção civil e indústria, que não podem se limitar às condições impostas pelo sistema bancário tradicional.
Com o amadurecimento do mercado, os FIDCs deixam de ser soluções pontuais e passam a integrar o planejamento financeiro recorrente das empresas. A Multiplike se destaca como referência no movimento de desbancarização, oferecendo soluções de crédito estruturado alinhadas à realidade e às necessidades das companhias. Sua atuação demonstra que é possível reduzir a dependência do sistema bancário sem abrir mão de segurança e previsibilidade.
A capacidade de oferecer soluções personalizadas e proteger empresas contra instabilidades econômicas posiciona esse modelo como componente estratégico para crescimento sustentável, resiliência organizacional e fortalecimento da diversificação do mercado de capitais brasileiro.
Autor: Volnei Eyng
Fundador e CEO da Multiplike, uma gestora de recursos com 25 anos de história e mais de 30 bilhões de crédito cedido.
Sócio benemérito da ABRAFESC;
Graduado em Administração e Economia;
MBA na HSM Management em Gestão de Negócios;
MBA em Macroeconomia.
