Taxas se guiam pelo movimento do câmbio e o mau humor nos mercados globais, após líderes empresariais dos EUA alertarem para uma possível correção das bolsas de Nova York

Os juros futuros de longo prazo sobem no pregão desta terça-feira (4), véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Sem direcionadores locais, as taxas se guiam pelo movimento do câmbio e o mau humor nos mercados globais, após líderes empresariais dos Estados Unidos alertarem para uma possível correção das bolsas de Nova York. Por aqui, a expectativa para o Copom se traduz em um leve recuo das taxas de curto prazo, que devolvem parte da alta da véspera.
Por volta de 13h05, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 cedia de 13,885%, do ajuste anterior, para 13,87%; a do DI de janeiro de 2029 oscilava de 13,10% a 13,11%; e a do DI de janeiro de 2031 aumentava de 13,39% para 13,415%.
Nas máximas do dia, a taxa do DI de janeiro de 2031 chegou a tocar o patamar de 13,46%. O movimento se dá em meio à aversão global a ativos de risco, que penaliza o real e também pressiona a ponta longa da curva a termo. CEOs de bancos americanos como Goldman Sachs e Morgan Stanley alertaram nesta terça-feira que os investidores devem se preparar para uma queda nos preços de ações, motivo pelo qual os agentes se afastam das bolsas americanas em direção ao dólar hoje.
No contexto local, os juros futuros têm mais um dia de pouca liquidez enquanto o mercado se prepara para a decisão de amanhã do Copom. O consenso geral é de que o colegiado não deve fazer grandes mudanças na sua comunicação, reiterando a indicação de que a Selic se manterá em 15% por mais alguns meses.
“Um movimento prematuro por parte do Copom estaria em desacordo com as sinalizações anteriores de manutenção da Selic por período bastante prolongado. Isso poderia comprometer o esforço de reconstrução da credibilidade e de reancoragem, ainda que parcial, das expectativas de inflação”, avalia Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia.
Para ele, o ciclo de flexibilização monetária deve se iniciar em janeiro do ano que vem, apoiado pelo fato de que a projeção de inflação do BC já deve mostrar um IPCA na meta de 3% no começo de 2026. Goldenstein pondera, contudo, que a postura bastante conservadora do Copom pode fazer com que o primeiro corte da Selic ocorra apenas em março. Além disso, a distância das expectativas de inflação do mercado em relação à meta e uma eventual pressão no câmbio no fim deste ano podem acarretar em uma postura mais cautelosa do BC, diz.
Na agenda local, a queda de 0,4% da produção industrial entre agosto e setembro não fez preço nos mercados de renda fixa, enquanto o leilão de NTN-B do Tesouro Nacional provocou uma leve inclinação da curva de juros reais. Ao todo, a entidade ofertou 750 mil papéis atrelados ao IPCA e vendeu 90,9% do montante.
Fonte: Valor Econômico
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