Pesquisa realizada durante o “Melhores do Agronegócio” revela que 41,3% dos executivos devem ampliar os desembolsos na atividade

— Foto: Thiago Rodrigues
Após um ano marcado pela imprevisibilidade provocada pelo cenário geopolítico internacional — com impactos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos agropecuários brasileiros e reflexos nas exportações —, as maiores empresas do agronegócio nacional sinalizam uma retomada do apetite por investimentos em 2026. A expectativa é de um movimento gradual de recuperação.
Esse panorama foi captado em enquete realizada durante a 21ª edição do prêmio “Melhores do Agronegócio”, evento promovido nesta segunda-feira (24/11) pela Globo Rural, em São Paulo, que reuniu executivos, lideranças e especialistas para discutir tendências e desafios do setor.
Entre os participantes, 41,3% afirmaram que pretendem ampliar o valor investido no próximo ano em relação a 2025, sinalizando confiança na estabilidade do mercado e na retomada das margens.
Outros 31,3% disseram que irão manter o mesmo nível de investimento, postura que indica prudência, mas também resiliência diante das incertezas. Já 27,4% declararam que irão reduzir os aportes.
Além das perspectivas financeiras, os empresários também apontaram os principais obstáculos para ampliar a conectividade no campo — fator considerado essencial para ganhos de eficiência, digitalização e competitividade.
O alto custo de instalação liderou as respostas, com 45%, seguido pelo desconhecimento do produtor sobre o impacto da tecnologia nos resultados, com 33,9%. Empatados na terceira posição, com 10,6% cada, ficaram a dificuldade de acesso a crédito e a baixa densidade populacional em áreas rurais, que encarece a infraestrutura e limita a expansão de redes.
Outro ponto abordado foi a expectativa para a taxa Selic em 2026, indicador crucial para decisões de investimento e planejamento financeiro. Para 43,6% dos executivos, a taxa deve ficar entre 13% e 14%, o que representaria uma queda frente ao patamar atual, de 15% ao ano, trazendo algum alívio para o custo do capital.
Já 20,7% acreditam que ficará entre 14% e 15%, enquanto 19% projetam manutenção nos atuais 15%, cenário que manteria a pressão sobre o crédito. Por fim, 16,8% apostam em uma redução mais acentuada, para 12%, movimento que poderia impulsionar novos projetos e acelerar investimentos em tecnologia e infraestrutura.
O prêmio “Melhores do Agronegócio” reconheceu empresas que se destacaram em 21 categorias tradicionais, como alimentos e bebidas, cooperativas, indústria de soja e óleos, produção agropecuária, reflorestamento, máquinas e equipamentos, defensivos agrícolas, sementes e serviços agropecuários.
Entre as novidades deste ano, ganharam espaço as categorias proteína animal e transporte e logística, refletindo tendências e demandas crescentes do setor, especialmente diante da busca por eficiência e integração das cadeias produtivas.
Fonte: Globo Rural
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