Volume de emissões cresce apenas 1% em 2025, diz relatório do ABC Brasil

Já no mercado secundário, o volume cresceu 26% no ano e, pela primeira vez, ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão, de R$ 972 bilhões em 2024 para R$ 1,22 trilhão O mercado primário de crédito privado ficou praticamente estagnado em 2025, com ofertas de R$ 689 bilhões, somente 1% acima dos R$ 681 bilhões…

Roberto Dumke, chefe da área de pesquisa do ABC Brasil — Foto: Nilani Goettems/Valor

Já no mercado secundário, o volume cresceu 26% no ano e, pela primeira vez, ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão, de R$ 972 bilhões em 2024 para R$ 1,22 trilhão

O mercado primário de crédito privado ficou praticamente estagnado em 2025, com ofertas de R$ 689 bilhões, somente 1% acima dos R$ 681 bilhões de 2024, segundo relatório da área de pesquisa do banco ABC Brasil divulgado hoje. Já no secundário, o volume cresceu 26% no ano e, pela primeira vez, ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão, de R$ 972 bilhões em 2024 par R$1,22 trilhão.

Os dados incluem debêntures corporativas e incentivadas, notas comerciais, cédulas de produto rural (CPRs), certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRIs e CRAs) e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).

Os prêmios de risco, por sua vez, caíram 47 pontos-base em papéis corrigidos pelo CDI e 37 pb no caso das debêntures incentivadas. “Esse fechamento de spreads e boa performance em 2025, na nossa visão, foi impulsionado pela forte entrada de recursos, especialmente nos fundos de debêntures incentivadas”, diz o relatório assinado pelo chefe da área de pesquisa do banco, Roberto Dumke.

De acordo com o acompanhamento, o patrimônio líquido dos fundos de infraestrutura foi de R$ 50 bilhões em 2023 para R$ 162 bilhões em 2024 e R$ 322 bilhões em 2025, em amostra com 1.765 fundos. A captação líquida totalizou R$ 130,2 bilhões no ano. “Essa atratividade está relacionada ao nível elevado de juros reais, que ficou perto de IPCA + 7,5% (NTNBs), o maior da década.” Além disso, cita Dumke no texto, a classe foi favorecida pela perspectiva de mudanças na tributação, que acabaram não se confirmando.

Os fundos de crédito privado, porém, encerraram o ano com dois meses seguidos de captação negativa: R$ 9,2 bilhões em novembro e R$ 21,4 bilhões em dezembro. A captação líquida em 2025 somou R$ 72,8 bilhões (o estudo considera 1.762 fundos, com R$ 2,33 trilhões de patrimônio líquido).

Neste ano, para Dumke, a perspectiva de queda de juros e o fôlego do Ibovespa de outubro para cá, que entregou retorno de 34% em 2025, além da perspectiva de aberturas de capital na bolsa, podem levar parte da atenção dos investidores para a renda variável.

Fonte: Valor Econômico

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