Segundo ele, há uma percepção de que os investidores já estão bem alocados em crédito privado e grande parte das empresas já fizeram o reperfilamento das suas dívidas – isto é, alongaram prazos. Além disso, Bokel lembra que o ano terá Copa do Mundo em junho e diversos feriados, o que pode reduzir a liquidez.
Para Paulo Vasconcellos, head de crédito do UBS Evolution, 2025 foi um ano de consolidação do mercado de renda fixa na carteira dos investidores, e a tendência é que essa classe, em especial a de crédito privado, siga como parte relevante nos portfólios.
“Temos mais liquidez, e a redução de spread de crédito que vimos nos dois anos veio para ficar. Há 5 anos, a liquidez era tão reduzida que o mercado precisava de um prêmio maior. Hoje temos um mercado secundário líquido, e esse prêmio se reduziu”, avalia.
O spread citado por Vasconcellos representa a diferença entre a taxa de juros paga pelos títulos de crédito privado e a taxa de juros de referência, no caso do Brasil, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Essa redução do spread indica que os custos de financiamento estão menores para as empresas e indivíduos que buscam crédito, o que tende a impulsionar o mercado e fortalecer a liquidez.
Onde aportar na renda fixa privada em 2026?
Com a queda da Medida Provisória (MP) 1.303, em outubro do ano passado, as debêntures incentivadas seguem como um produto atrativo para o investidor. O combo isenção de Imposto de Renda (IR) mais exposição aos juros reais (IPCA + spread) é a bola da vez neste ano, na opinião de Pierre Jadoul, diretor executivo da ARX Investimentos.
“Os juros reais são um dos poucos veículos locais que te protegem de um cenário muito ruim, por exemplo, se o Brasil não conseguir arrumar a questão fiscal. Se formos por esse caminho, CDI não é mais porto seguro, e a melhor opção é título isento de IR com rendimento de IPCA”, comenta.
A exposição às debêntures incentivadas via fundos de infraestrutura (Fi-Infra) são uma opção favorável na avaliação de Paulo Vasconcellos, do UBS. Ele cita que esses veículos têm “bastante vantagem competitiva no cenário de juros altos”, ainda que a taxa Selic deva passar por um processo de cortes ao longo deste ano.
Já Fayga Czerniakowski Delbem, sócia e head de crédito da Itaú Asset, acredita que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que foram um dos destaques do mercado de capitais em 2025, seguem como opção relevante para 2026, em especial para as pessoas físicas.
“O FIDC tem benefício da postergação do imposto, pois não tem come-cotas, e é uma classe com muito potencial. Mas demanda uma gestão profissional, que entenda e monitore os riscos, pois se trata de uma estrutura mais complexa”, alerta a especialista.
Fonte: InvesTalk
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