A fintech que quer dar margem de banco ao varejo brasileiro – Finsiders Brasil

Em 2018, Ronaldo Oliveira identificou um problema que custava dinheiro a praticamente todo varejista brasileiro com crediário próprio — e que quase ninguém falava abertamente. Quando o financiamento ao consumidor acontece dentro do próprio CNPJ do varejista, a receita de juros é tributada como atividade comercial. O resultado: uma operação que deveria ser lucrativa sangrava…

Ronaldo Oliveira/Girotech | Imagem: divulgação

Em 2018, Ronaldo Oliveira identificou um problema que custava dinheiro a praticamente todo varejista brasileiro com crediário próprio — e que quase ninguém falava abertamente. Quando o financiamento ao consumidor acontece dentro do próprio CNPJ do varejista, a receita de juros é tributada como atividade comercial. O resultado: uma operação que deveria ser lucrativa sangrava margem silenciosamente.

O problema não era falta de vontade dos varejistas. Era falta de infraestrutura. Montar uma operação financeira eficiente exige tecnologia de análise e concessão de crédito, gestão de risco, estrutura de funding. Mas o ponto mais ignorado é este: um arcabouço regulatório que separe a atividade financeira da atividade comercial. Para grandes redes, o custo e a complexidade de construir tudo isso do zero tornava a equação inviável.

A resposta de Ronaldo foi fundar a GIRO.TECH com três sócios e construir do zero uma infraestrutura capaz de mudar essa equação. Não apenas um software, mas um conjunto completo de licenças regulatórias, que permite ao varejista operar crédito como uma instituição financeira, com eficiência tributária real. A GiroTech é uma Sociedade de Crédito Direto (SCD) pelo Banco Central (BC), Securitizadora pela CVM e Gestora de FIDCs certificada pela Anbima —

“Tudo o que temos em termos de tecnologia nasceu dentro de casa. Isso nos dá poder de resolver muito mais problemas dentro do ecossistema do cliente”, disse Ronaldo em nota.

Uma nova fonte de receita dentro do varejo

Na prática, a plataforma da GIRO.TECH permite que o varejista vá muito além do crediário tradicional. Com a infraestrutura de crédito montada, é possível bancarizar a operação de cartão private label, empréstimo pessoal para clientes, crédito consignado para colaboradores e antecipação de recebíveis para fornecedores — tudo integrado ao ecossistema digital da empresa, via API.”

API (Application Programming Interface,ou Interface de Programação de Aplicações)é um conjunto de regras, padrões e protocolos que permite a comunicação e troca de dados entre diferentes sistemas de software

Com isso, o crédito deixa de ser um facilitador de vendas e passa a funcionar como uma linha de receita própria, com margens que se aproximam das do setor financeiro. Em um cenário de competição intensa e margens comerciais cada vez mais pressionadas, essa mudança de lógica tem impacto direto na sustentabilidade do negócio.

Entre os clientes que já operam com essa infraestrutura estão a Magalu — que usa a plataforma para o CDC Digital dentro do SuperApp —, as Lojas MM e a Berlanda, ambas com operações de empréstimo pessoal. Todos vêm ampliando sua presença em serviços financeiros como estratégia deliberada de crescimento de margem e fidelização de clientes.

Segundo análise da Deloitte, o mercado brasileiro de embedded finance deve gerar uma receita adicional de aproximadamente R$ 24 bilhões até 2026 nos principais setores voltados ao consumidor. O varejo está no centro desse movimento.

O setor se encontra no ‘Crédito Digital 2026’

No dia 25/3, a GIRO.TECH promove a segunda edição do Crédito Digital 2026: A Evolução do Crédito no Varejo, no auditório do Cubo Itaú, em São Paulo. O evento reúne mais de 150 executivos de médias e grandes redes — O Boticário, Casas Bahia, Lojas Renner, C&A, Pernambucanas, Assaí Atacadista, Gazin, Grazziotin, entre outras — para discutir como o crédito digital passou de produto financeiro a eixo estratégico do varejo.

O encontro é direcionado a diretores financeiros, de tecnologia, produto e diretores de crédito que buscam entender, de forma prática, como estruturar operações financeiras mais eficientes e rentáveis. Além das palestras, a programação inclui momentos de networking para troca de experiências entre os participantes.

A programação inclui dois painéis com cases concretos de crédito no varejo. O primeiro discute como varejistas estão estruturando aplicativos próprios de crédito, com a participação de executivos da Studio Z — rede de moda que vem digitalizando sua operação de crédito ao consumidor —, das Lojas Koerich, tradicional rede do Sul com crediário próprio consolidado, e do Tenda Atacado, que explora soluções financeiras voltadas ao seu público de atacarejo.

O segundo painel é dedicado ao crescimento do Buy Now Pay Later (BNPL) no varejo digital. A Casas Bahia, uma das empresas mais tradicionais do Brasil em Crédito Direto ao Consumidor (CDC), apresenta sua evolução para os canais digitais. A Lojas Renner, por meio da Realize Financeira, discute sua expansão em crédito ao consumidor com diferentes soluções de parcelamento. O mercado brasileiro de BNPL movimentou cerca de US$ 4,66 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 7,43 bilhões até 2030 — números que ajudam a explicar por que o tema domina a agenda do setor.

“O varejo tem uma vantagem competitiva clara quando falamos de crédito: proximidade com o consumidor. Mas para transformar isso em resultado sustentável, é preciso tecnologia, governança e uma infraestrutura que simplesmente funcione”, afirmou Ronaldo em nota.

Fonte: Finsiders

Tudo Sobre FIDCs

O seu portal de notícias e análises sobre o mercado de FIDCs. Reunimos, diariamente, as principais informações sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, mercado de capitais e crédito.

Acompanhe as movimentações, tendências e estratégias que moldam o universo dos FIDCs.

Tudo Sobre FIDCs: conteúdo inteligente para quem acompanha o mercado de FIDCs.

O quão foi útil este conteúdo pra você?

Fique por dentro
das principais notícias do mercado financeiro.

    Últimas notícias: