Mercado de capitais amplia desigualdade entre empresas, diz Cefeb

Segundo o estudo, enquanto grandes companhias captam no mercado de capitais a taxas próximas de 12% ao ano, pequenas e médias empresas (PMEs) dependem de crédito bancário e pagam em torno de 19%, em condições mais restritivas A grande diferença no acesso ao crédito aprofundou a desigualdade entre empresas e se tornou uma das principais…

A grande diferença no acesso ao crédito aprofundou a desigualdade entre empresas e se tornou uma das principais pressões estruturais sobre o desempenho corporativo no país, aponta o mais recente relatório do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Segundo o estudo, enquanto grandes companhias captam no mercado de capitais a taxas próximas de 12% ao ano, pequenas e médias empresas (PMEs) dependem de crédito bancário e pagam em torno de 19%, em condições mais restritivas. A entidade descreve essa divisão como a formação de um “Brasil moderno” e um “Brasil arcaico”.

“O acesso ao crédito define quais empresas conseguem crescer e quais enfrentam restrições operacionais”, analisa Roberto Troster, coordenador do Cefeb e responsável pelo estudo. “Isso cria trajetórias muito distintas e ajuda a explicar por que parte delas consegue sustentar resultados enquanto outras enfrentam maior dificuldade de geração de caixa.”

Enquanto o crédito direcionado se retraiu, com a participação do BNDES recuando para 3,7% do PIB, o mercado de capitais ocupou o espaço e ampliou alternativas. Mas para as PMEs o efeito foi a maior dependência do crédito bancário tradicional.

Em fevereiro de 2026, o custo médio da dívida corporativa no Brasil atingiu 16,47% ao ano, praticamente o dobro do observado cinco anos antes, mostra o relatório.

“Como reflexo, os indicadores de inadimplência avançaram 40% em menos de quatro anos.”

O texto destaca que o número de empresas inadimplentes já ultrapassa 8,7 milhões. Troster lembra que a inadimplência das carteiras do mercado de capitais é de 0,58% enquanto a das pequenas chega a 5,88%.

Centro de estudos da Fipe descreve divisão no acesso ao crédito como a formação de um Brasil moderno e outro arcaico.

A consequência chega ao consumo, diz o estudo, com um “efeito travão”. Mesmo com o crescimento da renda, o orçamento cada vez mais comprometido com pagamento de dívidas faz as famílias não aumentarem os gastos com compras na mesma proporção, o que, afirma o Cefeb, retroalimenta as dificuldades das empresas que dependem da demanda doméstica.

O novo coordenador do Cefeb ressalta que o crescimento do mercado de capitais é positivo, mas está ocorrendo com o dobro da velocidade das demais modalidades de financiamento do sistema, com efeitos sobre emprego, investimento e capacidade produtiva. Ele ressalta que as PMEs são responsáveis pela maior parte dos empregos formais no país.

“O país precisa entrar em um novo ciclo, com redução consistente do custo do capital, ampliação do acesso ao mercado de capitais e outras medidas, como a retirada do IOF sobre crédito a empresas menores e a maior eficiência no uso do cadastro positivo para reduzir taxas”, avalia.

Fonte: Valor Econômico

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