A deterioração das expectativas de inflação voltou a pressionar o cenário econômico brasileiro e reduziu o espaço para cortes mais agressivos na taxa Selic em 2026. Segundo o último Boletim Focus, a projeção do mercado para o IPCA segue próxima de 5%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
O movimento reforça a postura mais cautelosa do Copom, que passou a sinalizar um ciclo de juros elevados por mais tempo. Mesmo após os cortes realizados no início do ano, a Selic permanece em patamar restritivo e o mercado já revisa parte das expectativas de flexibilização monetária que existiam meses atrás.
A combinação entre inflação pressionada, câmbio volátil, energia mais cara e impacto geopolítico sobre combustíveis e alimentos mantém o Banco Central em posição defensiva. Ao mesmo tempo, a atividade econômica desacelera de forma moderada, sem gerar sinais suficientes para justificar uma redução mais intensa dos juros.
Construção civil enfrenta pressão de custos e reforça demanda por crédito estruturado
Após um primeiro trimestre positivo, marcado por atividade aquecida, geração de empregos e continuidade das obras, a construção civil começou a sentir com mais intensidade os efeitos do ambiente macroeconômico brasileiro em 2026.
A deterioração das expectativas de inflação e a sinalização de juros elevados por mais tempo passaram a pressionar diretamente o setor, que agora opera em um cenário financeiro mais complexo e menos previsível.
O aumento do custo dos materiais, da mão de obra e da logística elevou a pressão sobre o caixa das construtoras e reduziu a previsibilidade financeira das operações. Em paralelo, a manutenção da Selic em patamar restritivo encareceu o financiamento de projetos de ciclo longo e aumentou o custo do capital.
Na prática, o desafio da construção civil deixou de estar apenas na execução das obras. O setor agora precisa sustentar crescimento em um ambiente de crédito mais seletivo, margens mais comprimidas e maior pressão sobre a estrutura financeira das empresas.
Agro opera com safra forte, mas enfrenta ambiente financeiro mais restritivo em 2026
O agronegócio brasileiro segue sustentando forte capacidade produtiva em 2026, mesmo diante de um ambiente econômico mais pressionado. Safras robustas e manutenção da atividade continuam colocando o setor entre os principais motores da economia nacional.
A inflação pressionada e a perspectiva de juros elevados por mais tempo aumentaram o custo do crédito, reduziram a liquidez e tornaram o acesso ao capital mais seletivo. Ao mesmo tempo, produtores passaram a enfrentar alta no custo de insumos, fertilizantes, logística e financiamento operacional.
O setor atravessa uma reorganização financeira importante, em que acesso eficiente ao crédito passa a ser um diferencial competitivo tão relevante quanto produtividade.
Em muitos casos, a necessidade de liquidez passou a influenciar decisões comerciais, antecipação de vendas e planejamento produtivo. Preservar capital de giro se tornou parte central da estratégia operacional do agro.
Fonte: Redação
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