Debênture incentivada é vista como essencial mesmo em momento mais fraco para emissões, mostra pesquisa do Santander

  Mesmo em um momento de menor atividade no mercado de dívida, as debêntures incentivadas continuam sendo vistas como instrumentos fundamentais para financiar os investimentos de projetos de infraestrutura. Pesquisa recente realizada pelo Santander com profissionais do universo de financiamento de projetos mostra que 87% deles consideram as debêntures incentivadas essenciais ou muito relevantes para…

 

Mesmo em um momento de menor atividade no mercado de dívida, as debêntures incentivadas continuam sendo vistas como instrumentos fundamentais para financiar os investimentos de projetos de infraestrutura. Pesquisa recente realizada pelo Santander com profissionais do universo de financiamento de projetos mostra que 87% deles consideram as debêntures incentivadas essenciais ou muito relevantes para o financiamento de seus segmentos de atuação.

Além disso, mais da metade dos participantes apontou o mercado de capitais local como a fonte de recursos que mais deve ganhar relevância nos próximos cinco anos.

“O mercado está menos ativo, com menos liquidez e alguns fundos enfrentando resgates, mas isso não muda a percepção sobre a relevância desses instrumentos para o financiamento da infraestrutura no futuro”, afirma Igor Fonseca, responsável pela área de project finance do Santander.

 

Segundo ele, as companhias de infraestrutura que precisam de financiamento neste momento seguem recorrendo a alternativas como empréstimos-ponte ou financiamentos de bancos de desenvolvimento enquanto aguardam janelas mais favoráveis para acessar o mercado de capitais. “Ter essas possibilidades é algo essencial em momentos de janela mais restritiva”, explica.

A pesquisa, feita com pouco mais de 200 executivos após um evento sobre financiamento de projetos, reflete a percepção de que instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuarão desempenhando papel importante, mas sem substituir o mercado privado.

“Com a redução dos subsídios observados em anos anteriores, a tendência é de maior competição e até mesmo complementaridade entre bancos de desenvolvimento e mercado de capitais”, diz Fonseca.

Os resultados também indicam uma visão construtiva para a infraestrutura brasileira. Mais de 70% dos participantes pretendem ampliar a exposição de suas organizações ao setor nos próximos 24 meses. Infraestrutura digital e data centers lideram as expectativas para o próximo ciclo de investimentos, seguidos por rodovias e saneamento.

Apesar da visão positiva para a infraestrutura de forma geral, alguns segmentos enfrentam maior ceticismo. O setor de energia foi citado como um dos menos otimistas pelos participantes, refletindo preocupações relacionadas ao “curtailment” e seus impactos sobre novos investimentos e financiamentos.

O custo de capital foi apontado como o principal entrave à viabilização financeira de projetos. Para 43% dos respondentes, o custo de capital é hoje o maior desafio para o financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil, seguido por segurança regulatória, citada por 25%, e alocação de riscos, com 15%.

Fonte: Valor Econômico

 

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