Mercado de crédito corporativo no Brasil movimenta mais de R$ 400 bi por ano desde 2019, mas ainda há potencial de crescimento comparado a outros países
O mercado de crédito corporativo no Brasil movimenta, em média, R$ 418,95 bilhões por ano desde 2019 com títulos de dívida, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mas ainda há um amplo potencial de crescimento quando comparado com outros países. Um dos aliados nesta evolução são os instrumentos de gestão de risco de crédito, ainda em desenvolvimento no país.
Alguns passos já foram dados nesta direção. O CMN trouxe melhorias para as regras dos derivativos de crédito e atualizou recentemente o arcabouço regulatório que criou os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) de crédito. As mudanças buscaram ampliar as possibilidades de uso destes instrumentos, visando fomentar sua liquidez.
Essas operações têm inúmeros benefícios para os investidores e para o mercado. Do lado do investidor, representam novas oportunidades para diversificar seus investimentos. Já as instituições ganham alternativas para diluição de risco das suas carteiras. Quando falamos do mercado, essas negociações trazem mais liquidez e fomento ao mercado secundário que, apesar de ter evoluído, ainda tem espaço para crescer.
Tratando especificamente dos derivativos de crédito, eles podem ser negociados de forma mais abrangente no Brasil desde 2023, após as novas regulamentações do CMN que ampliaram o tipo de operações que investidores profissionais podem realizar, mas até o momento houve poucas operações com esses instrumentos e a maioria estava ligada a ativos do exterior. Enquanto isso, no mercado internacional, o CDS de títulos corporativos (instrumento equivalente ao nosso derivativo de crédito) movimentou US$ 490,4 bilhões só em 2024, segundo a Isda (International Swaps and Derivatives Association), entidade que reúne bancos e hedge funds do o mundo todo e que é referência neste segmento.
Alguns pontos ainda carecem de atenção para o mercado atingir a maturidade necessária para um ambiente saudável de negociações de derivativos de crédito no Brasil. Um deles é a padronização de documentos que garantam maior uniformidade entre as instituições nas operações que envolvem esses instrumentos aqui no país.
Outro ponto é a ampliação da lista de possíveis eventos de crédito, isto é, as situações que podem afetar os fluxos de pagamento dos títulos. A nova regulação define uma lista obrigatória desses eventos – que conta com casos como falha de pagamento, falência e reestruturação -, mas ainda é escassa comparada às possibilidades de eventos à lista, desde que previstos em normas de entidade de autorregulação e aprovadas com o Banco Central. Isso trará transparência ao investidor, facilitando as negociações.
O amadurecimento dos instrumentos financeiros, como os derivativos de crédito, desempenha um papel crucial na expansão do mercado secundário de crédito no Brasil. Ao incorporar aprendizados do mercado internacional e adaptar as melhores práticas globais às especificidades locais, esses instrumentos não apenas fomentam a liquidez e a eficiência do mercado secundário, mas também fortalecem o mercado primário. Esse ciclo virtuoso contribui diretamente para o financiamento do crescimento econômico do país, criando um ambiente mais robusto e dinâmico para investidores e emissores.
Essas novidades adaptam o mercado brasileiro a padrões comuns em outros países, em linha com as diretrizes da Isda. São avanços na estruturação do produto que darão mais segurança para os participantes do mercado e, consequentemente, para os investidores. O mercado de crédito privado brasileiro vem crescendo e está diante de uma oportunidade ímpar para seu maior desenvolvimento e estar cada vez mais próximo das boas práticas internacionais.
Fonte: Valor Econômico
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