Empresas ocupam o lugar que constroem no capitalismo

Se tem uma coisa que funciona bem no capitalismo, e talvez seja a maior verdade de todas, é que empresas que paralisam acabam morrendo e quebrando, abrindo espaço para empresas mais eficientes. No fim do dia, as empresas ocupam exatamente o lugar que deveriam ocupar dentro do sistema. Ninguém quebra por azar, e ninguém prospera…

Se tem uma coisa que funciona bem no capitalismo, e talvez seja a maior verdade de todas, é que empresas que paralisam acabam morrendo e quebrando, abrindo espaço para empresas mais eficientes. No fim do dia, as empresas ocupam exatamente o lugar que deveriam ocupar dentro do sistema.

Ninguém quebra por azar, e ninguém prospera apenas por competência isolada. Cada empresa “ganha de salário” exatamente aquilo que ela entrega ao mercado: lucro ou prejuízo. E por que estou falando isso?

Hoje, dois fatores têm incomodado bastante o mercado. De um lado, a guerra no Oriente Médio, que impacta diretamente os custos de energia e, sobretudo, o preço do petróleo. Do outro, a situação fiscal e o ambiente eleitoral no Brasil. Vivemos, sim, um momento em que inflação e política monetária impõem desafios relevantes à economia, mas é fundamental não confundir as coisas.

Nós, empresários, não podemos olhar para esse cenário automaticamente como uma crise. Os dados do Caged de março mostram que o Brasil gerou 228 mil empregos, contra 150 mil no mesmo período do ano passado, um crescimento de cerca de 50% na geração de vagas. E a verdade é que as empresas só contratam quando as coisas estão indo bem do ponto de vista operacional e de demanda.

“Problemas sempre vão existir, eles fazem parte do ambiente econômico. Isso, por si só, não caracteriza uma crise generalizada”.

Isso indica que o nível de emprego está bastante controlado. Existem, sim, problemas fiscais, pressões inflacionárias e uma série de desafios estruturais e externos. Mas uma coisa não deve ser confundida com a outra. Problemas sempre vão existir, eles fazem parte do ambiente econômico. Isso, por si só, não caracteriza uma crise generalizada.

O que mais me preocupa é a leitura apressada, e muitas vezes superficial, do cenário. Grande parte das manchetes prioriza apenas os dados negativos, sem contexto, sem comparação histórica e sem o devido questionamento. O problema não é apontar os riscos que existem, mas ignorar completamente os indicadores que mostram avanços e resiliência.

E o efeito disso é perigoso. Muitas empresas simplesmente paralisam. Deixam de avançar, suspendem decisões estratégicas, deixam de investir, de crescer e, principalmente, de tomar crédito de forma planejada. É aí que mora o maior risco.

Empresas precisam estar em movimento constante. Não podem usar os problemas macroeconômicos como justificativa para decisões ruins, mal pensadas ou improvisadas. Transferir a responsabilidade exclusivamente para o cenário político ou econômico é um erro comum e perigoso.

Não existe base sólida, tampouco futuro sustentável, para negócios que explicam todos os seus desafios apenas por fatores externos. Na maioria das vezes, o que leva uma empresa ao fim não é o contexto, mas a ausência de evolução. Quando uma empresa para de melhorar, ela já começou a morrer.

Autor: Volnei Eyng

Fundador e CEO da Multiplike, uma gestora de recursos com 25 anos de história e mais de 30 bilhões de crédito cedido.

Sócio benemérito da ABRAFESC;

Graduado em Administração e Economia;

MBA na HSM Management em Gestão de Negócios;

MBA em Macroeconomia.

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