
Empresas grandes não entram em crise apenas porque têm dívida, mas o que geralmente faz a diferença é o tempo que levam para reagir quando os sinais de crise financeira começam a aparecer. O caso da Oi ajuda a ilustrar isso. Depois de quase uma década em recuperação judicial, com sucessivas renegociações, venda de ativos e tentativas de reestruturação, a companhia teve a falência decretada no fim de 2025.
Esse exemplo traz um ponto bem importante para quem analisa risco financeiro com maior profundidade, de que o problema não foi apenas o tamanho ou a complexidade da dívida, mas a incapacidade de tomar decisões corretas antes que as alternativas se esgotassem.
Nas empresas mais maduras, a gestão do endividamento não depende de análises pontuais. Ela funciona a partir de gatilhos objetivos, que obrigam a organização a agir enquanto ainda há margem de manobra. Quando o espaço para cumprir o contrato com credores fica mais apertado, o tema precisa entrar com urgência na agenda estratégica.
1. Quando o caixa projetado encurta, investimentos, distribuição de resultados e novas alavancagens são revistos/ adiados.
2. Quando o perfil de vencimentos fica concentrado demais, alongar prazos deixa de ser opção e passa a ser prioridade.
Esses gatilhos não existem para eliminar a dívida ou travar o crescimento da empresa. Eles existem para evitar surpresas, impor disciplina financeira e garantir que decisões difíceis aconteçam cedo, e não apenas quando a pressão já chegou ao limite.
No fim, governança não é sobre ter menos dívida, mas sobre conseguir administrar compromissos financeiros mesmo quando o cenário muda. Para o empresário, a pergunta a se fazer hoje mesmo é: sua empresa consegue agir diante dos primeiros sinais de risco ou as decisões só acontecem quando o problema já fica grande demais?
Autora: Priscila De Freitas Vieira
Head of Credit Risk | Multiplike Gestora de Recursos
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