Mercado vê resistência da demanda para crédito privado e ETFs de renda fixa 

  Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos O início do ciclo de corte de juros no Brasil não é suficiente para tirar a atratividade do crédito privado e classes de investimento como os Fundos de índices (ETFs) de renda fixa, veem especialistas. Embora a rotação para ativos de mais risco (renda variável) tenda a ser…

 

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Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos

O início do ciclo de corte de juros no Brasil não é suficiente para tirar a atratividade do crédito privado e classes de investimento como os Fundos de índices (ETFs) de renda fixa, veem especialistas. Embora a rotação para ativos de mais risco (renda variável) tenda a ser lógica em tempos de juro mais baixo, o atual cenário não é tão “preto no branco”.

Igor Colombo, diretor de Fundos da Evertec Brasil, analisa que o mercado tem sido pautado por um ambiente de maior seletividade e a tendência é de uma transição gradual desse cenário à medida que o ciclo de queda de juros avance, mas sem movimentos abruptos no curto prazo.

“No curto prazo, o crédito privado deve continuar como uma das principais alternativas de alocação. O nível de juros ainda sustenta essa atratividade”, diz Colombo.

Apesar do ciclo de corte de juros ter se iniciado na reunião do Copom de março com um corte de 0,25%, seguido por mais um corte de mesma magnitude na quarta-feira (29), o mercado já não está mais tão otimista com a taxa de juros terminal desse ciclo de corte. Atualmente, as expectativas para o fim do ano estão em 13% (Focus).

Isso significa um território ainda de alta taxa de juros e não favorável a ativos de risco no Brasil. “Portanto o fluxo na renda fixa deve continuar”, diz Flávio Vegas, especialista de Produtos da Global X.

Vegas destaca que, no mercado de ETFs, os destaques de captação no ano são os ETFs de renda fixa, que captaram mais de R$ 15 bilhões só no primeiro trimestre de 2026, seja eles atrelados a títulos públicos ou debêntures. “Em um cenário de corte de juros mais forte, ETFs ligados a NTN-B e small caps tendem a ganhar mais destaque”, diz.

Para os especialistas, a migração para outras classes tende a acontecer de forma progressiva, acompanhando a redução dos juros e a retomada do apetite por risco, “muito mais como uma diversificação do portfólio do que como uma substituição imediata”.

Hoje, a guerra no Oriente Médio está, em grande parte, ditando os rumos do mercado, por ser um importante acelerador da inflação, limitando o apetite a risco. Além disso, houve uma leve abertura nos spreads de crédito, o que tem atraído os olhares dos investidores de renda fixa.

“Nas últimas semanas, vemos o aumento da demanda por ativos livres de risco, como NTN-Bs, para compor a carteira e dar mais fôlego aos investidores”, diz Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos, acrescentando que, sobre a migração de fluxo, há maior apetite dos investidores para aumentar a exposição em offshore.

Neste cenário, e mesmo com sua normalização, os ETFs tendem a ganhar relevância, atendendo a uma demanda clara por eficiência, combinando custo mais baixo, transparência e facilidade de acesso.

Para a Manchester, devem sobressair neste momento, principalmente, os ETFs de Bolsa americana, tecnologia e os que possuem alguma ligação com empresas de inteligência artificial, como ETFs de semicondutores e metais preciosos.

Já em um cenário de corte de juros mais forte, ETFs ligados a NTN-B e small caps tendem a ganhar mais destaque, na visão da Global X, mas produtos que investem em títulos curtos do governo americano, nas empresas que mais pagam dividendos no mundo e aqueles que investem em empresas ligadas a infraestrutura nos EUA também.

Para os próximos meses, o mercado deve observar de perto os efeitos do aumento do petróleo e da paralização do estreito de Ormuz na inflação e consequentemente nos juros no mundo todo. O principal desafio continua sendo navegar em um ambiente de incerteza, tanto no campo macroeconômico quanto regulatório.

Fonte: Capital Aberto

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