Em reuniões no BC, economistas temem espaço menor para cortes na Selic

Percepção de que os agentes estão menos otimistas com os cortes de juros foi observada nas reuniões entre diretores da autarquia e economistas A resiliência da atividade econômica do Brasil, a despeito de uma taxa Selic que se mantém no maior nível em quase duas décadas desde meados de 2025, tem levantado questões sobre a…

Percepção de que os agentes estão menos otimistas com os cortes de juros foi observada nas reuniões entre diretores da autarquia e economistas

Sede do Banco Central (BC) do Brasil — Foto: Andressa Anholete/Bloomberg

A resiliência da atividade econômica do Brasil, a despeito de uma taxa Selic que se mantém no maior nível em quase duas décadas desde meados de 2025, tem levantado questões sobre a extensão do ciclo de flexibilização da política monetária do Banco Central. A percepção de que os agentes estão menos otimistas com os cortes de juros foi observada nas reuniões entre diretores da autarquia e economistas de mercado na manhã desta sexta-feira na sede do BC em São Paulo.

Ainda que o consenso aponte para uma Selic ao redor de 12%, os últimos dados de atividade e do mercado de trabalho têm feito o mercado questionar a possibilidade de um ciclo dessa magnitude. Segundo um dos participantes dos encontros de hoje, fatores como a volatilidade cambial por conta das eleições e do cenário geopolítico “não deixam o ambiente muito seguro para uma desinflação suave ao longo do tempo”.

Além disso, itens que contribuíram para a desinflação em 2025, como a sobreoferta de bens industriais com o “tarifaço” dos Estados Unidos, preços de alimentos em queda e a própria valorização do real sobre o dólar não devem ajudar tanto neste ano.

“Por isso, mesmo aqueles que projetam uma queda da Selic para a casa dos 12% — alguns até um pouco abaixo disso — se questionam se, de fato, faria sentido a taxa cair para esses níveis, dado que tem muita incerteza no radar e o ambiente de desinflação não está 100% assegurado”, diz esta fonte, em condição de anonimato.

Um outro participante das reuniões corrobora a visão ao afirmar que os economistas se mostraram mais céticos quanto à possibilidade da Selic ser reduzida em 3 pontos percentuais até o fim do ano. Segundo ambas as fontes, as projeções para o IPCA deste ano ficaram em torno de 4%, com algumas pessoas projetando o índice um pouco abaixo e outras, um pouco acima desse nível. Já para o PIB de 2026, a expectativa é de um crescimento perto de 1,5%, entre quem espera uma desaceleração maior, e de 2% entre quem vê uma economia mais resiliente.

“A leitura que predominou é de que, talvez, os dados que vimos mais fracos no ano passado não tenham sido uma tendência, e o mercado de trabalho está mostrando isso bem”, diz o profissional. Segundo ele, o consenso ainda aponta para um primeiro corte da Selic em março, mas não houve comentários acerca da sua magnitude, de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.

Sobre o quadro externo, uma das fontes conta que a expectativa majoritária é por um ambiente favorável à inflação, com um dólar ainda enfraquecido e o petróleo comportado ao redor dos níveis atuais. De qualquer forma, se houver uma apreciação do real, a visão geral é de que o processo deve ser mais contido em 2026 na comparação com o ano passado.

Fonte: Valor Econômico

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