O resultado do IPCA-15 de janeiro foi bem recebido pelos agentes, no que é o último dado de maior relevância antes da decisão do Copom

Os juros futuros exibem queda firme no pregão desta terça-feira, véspera da próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, amanhã. As taxas dão sequência ao movimento positivo que se estende desde a semana passada diante da leitura do IPCA-15 de janeiro, visto por boa parte do mercado como benigna, e da forte valorização do real sobre o dólar.
Além disso, comentários de Tiago Berriel, estrategista-chefe da BTG Pactual Asset Management, em entrevista ao Valor, dão tração à expectativa por um ciclo de cortes da Selic mais intenso, com aumento da possibilidade de o BC cortar os juros já nesta semana.
Por volta de 13h25, a taxa do contrato de Depósito interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 caía de 13,68%, do ajuste anterior, para 13,58%; a do DI de janeiro de 2028 cedia de 12,975% a 12,87%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 12,99% para 12,89%; e a do DI de janeiro de 2031 anotava forte queda de 13,305% a 13,195%.
O ambiente é amplamente favorável ao bom desempenho dos mercados de renda fixa hoje com o recuo do dólar aos menores níveis em 20 meses e a reação positiva dos agentes ao IPCA-15 de janeiro, cuja alta de 0,20% veio ligeiramente abaixo da mediana de 0,23% projetada por economistas consultados pelo VALOR DATA.
Embora as medidas dos núcleos tenham apresentado números mais pressionados, os preços do setor de serviços mostraram uma composição qualitativa mais benigna na prévia da inflação de janeiro, e a média móvel desse segmento passou de 5% para 4,5%, destaca Leonardo Costa, economista do ASA, em nota.
“O IPCA-15 de janeiro lega ao IPCA um avanço mais modesto em serviços (com deflação da passagem aérea), um qualitativo melhor no subjacente de serviços e uma inflação mais fraca de alimentos”, resume Costa, que revisou a sua projeção para o IPCA cheio deste mês, de 0,33% para 0,30%.
Desta forma, o IPCA-15 deu espaço para o mercado precificar um caminho mais benigno para a Selic e, ao mesmo tempo, engajar em uma nova rodada de retirada de prêmios de risco na parte longa da curva a termo, chegando ao quinto pregão consecutivo de recuo dos juros futuros.
Apesar do bom desempenho das taxas desde meados da semana passada, um ponto que pouco se alterou no período foi a expectativa de que a Selic permaneça em 15% amanhã. Embora esta ainda seja a previsão da ampla maioria do mercado, as opções digitais de Copom mostram um aumento na chance de que o BC comece a cortar os juros já na decisão deste mês, na esteira das falas de Berriel ao Valor, que avalia como “difícil” encontrar motivo para o BC não começar o ciclo de flexibilização amanhã.
Assim, o mercado de opções registra um recuo da probabilidade de que a Selic permaneça em 15%, de 82,5% para 77%, queda relevante para o período de apenas um dia. Já a chance de que um corte de 0,25 ponto percentual aconteça sobe de 15,1% a 23%, ao passo em que a probabilidade de uma redução de 0,5 ponto oscila de 2% para 1,5%.
“Acaba fazendo algum preço, sim. O pessoal ouve bastante ele”, relata um operador de renda fixa ao comentar as falas do ex-diretor de assuntos internacionais do BC. Para um gestor de uma importante casa da Faria Lima, o IPCA-15 e a queda do dólar são os principais catalisadores para o bom desempenho dos juros futuros hoje, mas as falas de Berriel também ajudam, segundo ele.
O bom humor do mercado de renda fixa permitiu, inclusive, que o Tesouro aumentasse a oferta de NTN-B no leilão de hoje em relação ao de semana passada. Ao todo, o órgão emitiu 1,3 milhão de papéis atrelados ao IPCA, oferta completamente absorvida pelo mercado sem grande pressão sobre as curvas de juros nominais e reais.
Fonte: Valor Econômico
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