Construção civil enfrenta pressão de custos e falta de mão de obra, enquanto agronegócio lida com crédito mais restrito e busca alternativas de financiamento

A expectativa de início do ciclo de cortes da Selic já no primeiro trimestre ganha mais força após declarações recentes do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que reforçou o momento de calibragem da política monetária.
Os dados mais recentes consolidaram a percepção de desinflação e ampliaram a probabilidade de redução da taxa básica já na próxima reunião do Copom. O mercado trabalha com chance elevada de corte de 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic de 15% para 14,50%.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária indicou melhora consistente dos indicadores e apontou condições técnicas para o início da flexibilização, desde que mantido o compromisso com a meta de inflação. Em declarações recentes, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária atravessa um momento de calibragem da política monetária, com decisões condicionadas à evolução dos dados.
A intensidade e a duração do ciclo dependerão da consolidação da desinflação, do comportamento do quadro fiscal e do ambiente externo.
Na avaliação de Peterson Rizzo, gerente de RI da Multiplike, o ambiente tende a favorecer oportunidades no crédito privado, especialmente em setores mais intensivos em capital. Ele ressalta, no entanto, que o cenário ainda exige planejamento financeiro e disciplina na tomada de decisão.
Construção civil projeta alta de 2% em 2026 e aposta em capital estruturado
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o setor deve crescer 2% em 2026, acima dos 1,3% registrados em 2025, mantendo a trajetória positiva pelo terceiro ano consecutivo.
A sinalização de redução da taxa Selic a partir de março, conforme indicado pelo Banco Central do Brasil, reforça a perspectiva de um ambiente financeiro mais favorável para novos projetos e expansão da atividade.
Apesar do cenário mais construtivo, o principal desafio permanece nos custos. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que mede a variação de materiais, serviços e mão de obra, avançou 5,92% no período analisado.
O maior impacto veio da mão de obra, com alta de 8,98%, pressionada pela taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica. A escassez de profissionais qualificados tem elevado salários e dificultado a execução de projetos dentro do orçamento inicial, comprimindo margens e exigindo maior eficiência operacional.
Com a perspectiva de juros mais baixos, essas estruturas tendem a se tornar ainda mais competitivas ao longo do ano. Para o setor, a combinação entre gestão rigorosa de custos e acesso a financiamento estruturado pode ser determinante para sustentar o crescimento projetado e preservar a rentabilidade em um ambiente ainda sensível à volatilidade econômica.
Crédito mais seletivo pressiona o agronegócio no início do ano
O agronegócio inicia 2026 com crédito mais restrito. A onda de recuperações judiciais registrada em 2025 elevou a percepção de risco no setor e levou bancos a adotarem critérios mais rigorosos na concessão. Limites menores, mais garantias e spreads ajustados passaram a fazer parte da nova realidade para produtores e fornecedores de insumos.
Ao mesmo tempo, o crédito rural subsidiado enfrenta limitações fiscais, o que reduz o espaço para expansão de linhas com taxas incentivadas. Diante disso, cresce a migração para alternativas fora do sistema bancário tradicional, como CPR financeira, antecipação de recebíveis e operações estruturadas.
Mesmo em ambiente mais cauteloso, o agronegócio deve seguir contribuindo de forma significativa para o PIB, ainda que em ritmo inferior ao de 2025. A demanda por custeio, investimento e logística permanece. O que muda é o acesso ao capital, que tende a ser mais criterioso e exigir planejamento financeiro mais estratégico ao longo do ano.
Fonte: Redação
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