Vendas do varejo surpreendem em novembro, mas devem fechar abaixo de 2% em 2025, calcula CNC

Para Fábio Bentes, a boa performance pode se explicar pelo “tripé” macroeconômico: mercado de trabalho, inflação e mercado de crédito O aumento de 1% em novembro ante outubro nas vendas do varejo restrito, que exclui materiais de construção, automóveis e atacarejo, foi classificado como “surpresa positiva” pelo economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens,…

Para Fábio Bentes, a boa performance pode se explicar pelo “tripé” macroeconômico: mercado de trabalho, inflação e mercado de crédito

Black Friday e promoções ajudaram a impulsionar o comércio — Foto: Paulo Pinto
/Agência Brasil/Paulo Pinto/Agência Brasil

O aumento de 1% em novembro ante outubro nas vendas do varejo restrito, que exclui materiais de construção, automóveis e atacarejo, foi classificado como “surpresa positiva” pelo economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes. “Estávamos esperando alta menos intensa, de 0,6%” explicou. Bentes informou ainda que, na comparação com mês anterior, foi o maior crescimento mensal desde maio de 2024 (1,3%). Para meses de novembro, foi melhor mês desde 2021 (1,2%).

Para o especialista, a boa performance pode se explicar pelo “tripé” macroeconômico: mercado de trabalho, inflação e mercado de crédito. Ao falar do primeiro fator, o especialista lembrou o quadro positivo no mercado de trabalho em novembro. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em novembro ficou em 5,2%, a mais baixa da série histórica mapeada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em novembro, o rendimento real habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.574, também recorde, com altas de 1,8% no trimestre finalizado em novembro ante trimestre anterior, e de 4,5% ante mesmo trimestre (finalizado em novembro) em ano imediatamente anterior. A massa de rendimento real habitual ficou em R$ 363,7 bilhões, também recorde, com alta de 2,5% (mais R$ 9,0 bilhões) no trimestre ante trimestre anterior, e de 5,8% em comparação com mesmo trimestre em 2024.

É a renda originada do trabalho a principal fonte de poder de consumo do brasileiro, lembrou o especialista. Daí, quando mercado de trabalho continua a mostrar sinais positivos, com impacto positivo na renda, isso potencializa o poder de compras do consumidor, com impacto positivo no varejo, notou.

Black Friday e política monetária

Outro aspecto citado por Bentes, de contexto favorável ao consumo, foi o comportamento de preços. O especialista ponderou que especificamente novembro contou com vários movimentos de preços em baixa, no comércio. Houve a Black Friday, semana promocional de vendas do varejo, que sempre ocorre em novembro, o que já reduz preços em diferentes categorias do varejo.

Além disso, citou a importância da influência da política monetária nos preços do varejo. Juros elevados inibem o ritmo de compras, principalmente em áreas nas quais os itens são de maior valor agregado e, com isso, mais transacionados a crédito via prazo. Isso impulsiona as promoções, com impacto no recuo de preços, tornando os produtos mais acessíveis.

Um exemplo desses dois fatores, de “Black Friday” e política monetária, a influenciar preços, pôde ser percebido no deflator da PMC, detalhou Bentes. Entre junho e novembro, o “deflator da PMC” – ou seja, o índice de preços utilizado para isentar uma série de receitas nominais da PMC dos efeitos da inflação – registrou quedas por seis meses consecutivos. Em novembro, a variação foi de -0,2%.

“Esta sequência de [seis meses de] deflações é inédita nos 25 anos de pesquisa”, afirmou Bentes, a reiterar que isso mostra como os preços no comércio operaram em baixa em novembro de 2025.

No entanto, ao ser questionado sobre se o desempenho de novembro poderia mudar de forma expressiva a trajetória anual de vendas do varejo restrito em 2025, para um resultado mais robusto, o especialista não acredita na possibilidade. Isso porque o setor, ao longo de 2025, contou com muitas taxas negativas e próximas zero.

Tanto que o volume de vendas do varejo restrito acumula alta de 1,5% em 12 meses até novembro, lembrou. “Creio que as vendas devem terminar 2025 com alta abaixo de 2%” disse. Em 2024, as vendas do varejo restrito subiram 4,7%.

Otimismo sobre 2026

Mas Bentes declarou-se mais otimista para 2026. O técnico lembrou que, para este ano, é esperado corte na taxa básica de juros (Selic), que norteia juros de mercado. Isso pode ajudar a diminuir juros na economia real, nas compras a crédito, disse, principalmente a partir do segundo real, nas compras a crédito, disse, principalmente a partir do segundo semestre, pois cortes na Selic normalmente demoram a repercutir no mercado, entre seis a oito meses. Esse movimento pode tornar o crédito mais atrativo para compras no varejo.

Bentes comentou ainda que não espera grandes saltos na inflação desse ano, o que deixaria preços no comércio ainda atrativos para venda. “Creio que podemos, esse ano, atingir um crescimento de vendas de 3% no comércio [no varejo restrito]”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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