FIDCs ultrapassaram os fundos de ações e devem alcançar R$1 trilhão em 2025

A demanda das empresas por crédito mais acessível e menos burocrático que o bancário tem crescido de forma consistente. Em um cenário de juros elevados e maior restrição bancária, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidaram como uma alternativa viável, tanto em patrimônio líquido quanto em captação, impulsionados pelas taxas atrativas e…

A demanda das empresas por crédito mais acessível e menos burocrático que o bancário tem crescido de forma consistente. Em um cenário de juros elevados e maior restrição bancária, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidaram como uma alternativa viável, tanto em patrimônio líquido quanto em captação, impulsionados pelas taxas atrativas e pela busca dos investidores por diversificação dentro da renda fixa.

Nos últimos anos, os FIDCs vêm ganhando relevância e já representam 6,8% da indústria de fundos, superando os fundos de ações, que correspondem a 5,8%. Esse crescimento tem sido impulsionado pela ampliação do acesso ao público em geral, pela entrada de novos portfólios de crédito e pela flexibilidade na concessão, fatores que vêm dando fôlego adicional a essa indústria.

Na prática, os FIDCs aplicam em títulos de crédito originados a partir de contas a receber de empresas. Por terem uma estrutura mais robusta, costumam oferecer retornos superiores aos dos fundos tradicionais de renda fixa.

Fatores que impulsionaram esse crescimento

Com a Selic elevada, a renda variável perdeu atratividade, enquanto os FIDCs passaram a oferecer retorno competitivo com risco ajustado. Nesse cenário, as empresas encontram nos FIDCs uma forma mais flexível e acessível de obter crédito em comparação aos bancos tradicionais, principalmente diante das taxas elevadas.

Além disso, os FIDCs se destacam pela maior flexibilidade na estruturação das operações e pelos custos financeiros mais baixos. Outro ponto favorável foi a manutenção da isenção de come-cotas, mesmo após a regulação que passou a tributar os fundos exclusivos, o que reforçou sua atratividade.

Por fim, a abertura ao investidor de varejo também foi decisiva. A possibilidade de criação de fundos específicos para esse público ampliou a base de captação e levou, de forma indireta, o crédito privado a um número maior de investidores.

O papel da Multiplike

A Multiplike acompanha esse movimento e projeta conceder R$ 17,5 bilhões em crédito até o fim de 2025, após já ter originado mais de R$ 50 bilhões nos últimos anos. A gestora tem atuação relevante em setores estratégicos como agronegócio e indústria e construção civil.

Segundo Volnei Eyng, CEO da Multiplike, apesar da abertura das FIDCs para todos os setores econômicos, a concentração maior permanece nessas três frentes:

“Mesmo com a ampliação da atuação, os FIDCs permanecem mais presentes na indústria, que historicamente lidera a demanda; no agronegócio, que vem ampliando o uso de estruturas para capital de giro e expansão; e na construção civil, que começa a adotar esse modelo de forma mais consistente à medida que reconhece sua flexibilidade e vantagens em relação ao crédito tradicional.”

Mais do que taxas ou produtos, o diferencial dos FIDCs tem sido a capacidade de oferecer estruturas personalizadas, flexibilidade, transparência e agilidade de resposta, atributos que explicam por que essa modalidade vem ultrapassando os fundos de ações em relevância e atraindo cada vez mais investidores e empresas.

Fonte: Redação

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