FIDCs: um setor que evolui tão rápido, o desafio passa a ser outro

Nos últimos anos, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ser um tema restrito a especialistas para ocupar um espaço cada vez mais relevante no mercado financeiro brasileiro. O que antes era considerado um nicho alternativo de crédito, hoje se consolidou como uma fonte essencial de financiamento para empresas de diferentes portes…

Crédito: Félix de Souza

Nos últimos anos, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixaram de ser um tema restrito a especialistas para ocupar um espaço cada vez mais relevante no mercado financeiro brasileiro. O que antes era considerado um nicho alternativo de crédito, hoje se consolidou como uma fonte essencial de financiamento para empresas de diferentes portes e, ao mesmo tempo, como uma alternativa sólida de investimento.

Esse amadurecimento não aconteceu por acaso e não somente pelo efeito de juros altos. Ele reflete uma combinação de fatores estruturais, o avanço da governança, o uso de tecnologias para aprimorar análises e processos, a profissionalização da originação e, sobretudo, o aumento da confiança de investidores institucionais e corporativos no crédito privado. O resultado é um mercado mais maduro, mais transparente e mais competitivo.

Mas há um ponto que ainda merece atenção, à medida que o setor cresce, cresce também a necessidade de entender sua real saúde e eficiência. Não basta constatar o aumento de volume de operações e captações no mercado. É preciso mensurar a qualidade das carteiras, o desempenho dos ativos e a consistência das rentabilidades entregues ao longo do tempo.

Em agosto de 2025, o Índice Multiplike de Devedores (IMD) apontou que a inadimplência média dos FIDCs caiu para 9,04%, atingindo o menor nível desde 2022. O dado reflete tanto a expansão da base de direitos creditórios quanto a melhora na originação dos recebíveis. O total de títulos vencidos, por exemplo, recuou de R$ 6,2 bilhões para R$ 6,08 bilhões, mesmo com o aumento do volume total administrado, que já soma R$ 70,2 bilhões apenas entre os fundos multicedente e multissacado.

Esses números mostram que o setor não apenas cresceu, mas evoluiu em eficiência operacional. Ao mesmo tempo, o Índice Multiplike de Rentabilidade dos FIDCs (IMRF) registrou rentabilidade acumulada de 15,93% nos últimos 12 meses, superando o CDI (12,87%), o Ibovespa (3,98%) e o IFIX (2,44%). Ou seja, além de um instrumento de crédito relevante para empresas, o FIDC também se tornou uma alternativa de investimento de alta performance.

Por trás dessa performance está uma estrutura robusta de proteção e controle de risco. A subordinação de cotas garante amortecimento em cenários de estresse. A pulverização de cedentes e sacados reduz a exposição a setores específicos. A diversificação geográfica e a presença de gestores e administradores especializados aumentam a confiabilidade do investimento. É um ecossistema que aprendeu não só a administrar risco, mas também transformar em oportunidade.

No entanto, mesmo com todos esses avanços, o setor ainda carecia de referências consistentes para medir seu próprio desempenho. Faltava um termômetro que traduzisse, em dados, a realidade das carteiras e a rentabilidade comparada ao mercado. Foi dessa lacuna que nasceram o IMD e o IMRF, dois indicadores desenvolvidos pela Multiplike justamente para acompanhar o comportamento desse segmento, de forma contínua e transparente.

Mais do que índices, eles representam um passo em direção à maturidade informacional do crédito estruturado. Porque todo mercado que deseja crescer de forma sustentável precisa de métricas confiáveis. É isso que permite atrair novos investidores, ampliar o acesso de empresas ao crédito e reforçar a credibilidade de um setor que hoje é peça-chave no financiamento da economia real.

O crédito estruturado já provou sua relevância. O próximo passo é garantir que sua expansão venha acompanhada de métricas e análises que permitam compreender o que sustenta esse crescimento. Quando os indicadores passam a refletir com precisão a qualidade das carteiras e a rentabilidade real dos fundos, o setor ganha previsibilidade, e o investidor, confiança. É esse tipo de evolução que transforma uma indústria promissora em um verdadeiro pilar do mercado financeiro brasileiro.

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Autor: Volnei Eyng

Fundador e CEO da Multiplike, uma gestora de recursos com 25 anos de história e mais de 30 bilhões de crédito cedido.

Sócio benemérito da ABRAFESC;

Graduado em Administração e Economia;

MBA na HSM Management em Gestão de Negócios;

MBA em Macroeconomia.

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