Fintech especializada no setor automotivo conclui maior operação de sua história e projeta dobrar de tamanho em dois anos

Na “garagem” nos últimos anos, a Listo voltou a circular pelas ruas, e com “tanque cheio”. A fintech especializada no setor automotivo concluiu a captação de R$ 1 bilhão por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), em duas emissões sequenciais. A operação, estruturada por Itaú BBA e UBS BB, atraiu principalmente investidores institucionais. Os recursos serão destinados à expansão da carteira e ao fortalecimento da operação. Uma captação de equity (aporte com participação na empresa) também está no radar.
Desde sua fundação, em 2014, a Listo levantou aproximadamente R$ 3 bilhões em nove emissões de FIDCs. Da nova captação, R$ 700 milhões correspondem a recursos novos, enquanto R$ 300 milhões vieram de investidores existentes que optaram por alongar o prazo da operação, explica Olavo Cabral Netto, CEO e fundador da Listo, ao Finsiders Brasil.
“A demanda foi forte”, afirma o empreendedor. De acordo com ele, a empresa historicamente realizava emissões entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. “A gente começou a operação falando desse valor. No final das contas, encontramos uma combinação que permitia crescer”, diz.
“Temos recebíveis de cartões de qualidade, a turma já conhece nosso operacional, nosso dia a dia. A gente não tem nenhum evento de inadimplência no fundo, historicamente, ao longo de todas as nossas emissões.”
Com a nova captação, a Listo projeta dobrar de tamanho em um horizonte de 18 a 24 meses, projeta Olavo. Atualmente, a carteira de crédito da fintech soma R$ 1,5 bilhão. Por ano, a empresa processa cerca de R$ 10 bilhões em transações digitais, atendendo mais de 120 mil clientes. O perfil varia entre pequenas revendas e lojas de autopeças até grupos de concessionárias multimarcas.
Nesse último segmento, aliás, a fintech vem ganhando mais espaço, e hoje já atende mais de 100 grupos, conforme o CEO. Nos últimos anos, a empresa também lançou produtos para conectar indústrias automotivas aos lojistas, atuando na cadeia B2B.
Hoje, a Listo integra gestão, dados, vendas e soluções financeiras em uma única plataforma. Também está negociando parcerias com startups para plugar soluções não financeiras numa espécie de hub, conta Olavo.
Verticalização
A estratégia da Listo se apoia em três pilares: evolução da plataforma de software com soluções customizadas para diferentes nichos; expansão para empresas maiores; e verticalização de serviços financeiros. “A gente tenta ter uma proposta de ser agnóstico do meio de pagamento, seja B2B ou B2C”, explica Olavo. A plataforma oferece pagamentos via Pix, cartões de débito e crédito, além de antecipação de recebíveis.
Na contramão de muitas fintechs de nicho, a Listo optou por verticalizar seu negócio e sua infraestrutura tecnológica e regulatória. “Eu brinco que a gente fez o nosso próprio BaaS (Banking as a Service). A gente apostou muito no cenário em que o Banco Central tornaria mais restrita a atuação desse setor”, explica o CEO. A aposta levou a empresa a obter as licenças de Instituição de Pagamento (IP), como credenciadora (adquirente), e de Sociedade de Crédito Direto (SCD), um dos tipos de fintech de crédito.
Além disso, a Listo construiu a própria processadora de cartão, inteiramente em nuvem, diz Olavo. A fintech atua, ainda, como participante direta no Pix. “É uma operação 100% verticalizada. Com isso, conseguimos ser mais eficientes e ágeis, assim como demonstrar que estamos 100% em compliance nas operações”, afirma o fundador.
Crescimento
Depois de uma expansão de cerca de 50% em 2025, a Listo está com mentalidade direcionada para crescimento neste ano, diz Olavo. Além de fortalecer o funding (fonte de recursos) para as operações de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, a fintech estuda uma rodada de investimento de equity, revela o CEO. Seria a primeira captação desse tipo da empresa, que até hoje opera com recursos dos sócios. Ele não abre detalhes, mas diz que há conversas em andamento com fundos nesse sentido.
Questionado se o objetivo de uma eventual captação é necessário diante do aperto regulatório do Banco Central com as novas regras de capital mínimo, Olavo garante que a fintech está adequada aos novos patamares.
Já em relação a novas operações com foco em funding, ele diz que em breve a empresa pode fazer outra emissão. “Mas, obviamente, depende um pouco do cenário macroeconômico e político. Em termos de demanda do mercado, temos visto boas sinalizações.”
Fonte: Finsiders Brasil
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