Mudança no IOF mexe na captação de FIDCs

A indústria de fundos encerrou a primeira metade do ano com captação líquida positiva de R$ 16,7 bilhões Com a mudança no IOF, o mercado financeiro registrou um movimento significativo de antecipação de aportes em junho de 2025. A indústria de fundos encerrou julho com captação líquida positiva de R$ 16,7 bilhões. Esse resultado contrasta…

A indústria de fundos encerrou a primeira metade do ano com captação líquida positiva de R$ 16,7 bilhões

Cédula real dinheiro — Foto: Pixabay

Com a mudança no IOF, o mercado financeiro registrou um movimento significativo de antecipação de aportes em junho de 2025. A indústria de fundos encerrou julho com captação líquida positiva de R$ 16,7 bilhões.

Esse resultado contrasta com a volatilidade observada no mercado nos meses anteriores e mostra como os investidores buscaram se proteger e, ao mesmo tempo, aproveitar oportunidades de alocação antes que as novas regras tributárias entrassem em vigor.

Um exemplo é o Ouro Preto FIC FIDC, que saiu de aproximadamente R$ 150 milhões para ultrapassar a marca de R$ 550 milhões, um salto de 267% que aproveitou o fluxo positivo do período. Os dados são da Ouro Preto Investimentos.

De janeiro a agosto de 2025 o fundo acumula 10,52% de retorno contra 9,02% do CDI, ou seja, 117% da referência. O crescimento foi acompanhado também pelo avanço do patrimônio líquido.

No caso específico do Ouro Preto FIC FIDC, o patrimônio começou a acelerar em maio, quando o governo sinalizou a tributação: naquele mês, o fundo cresceu 11,58%, impulsionado também pela abertura ao varejo em novas plataformas de distribuição.

A indústria de FIDCs encerrou o primeiro semestre de 2025 com novo recorde de patrimônio líquido (PL). Em junho, o PL consolidado atingiu R$ 767,19 bilhões, representando um avanço de 47,3% em relação aos R$ 520,71 bilhões registrados no mesmo mês de 2024. O número de fundos em operação passou de 2.637 para 3.487, crescimento de 32,3% no período.

Para Leandro Turaçasócio-diretor da Ouro Preto Investimentos, a tributação surpreendeu pelo efeito contrário ao esperado por muitos agentes do mercado. “O que vimos com a mudança do IOF não foi apenas um movimento conjuntural, mas um teste real da capacidade de adaptação da indústria. Em momentos como esse, a diferença não está em prever o cenário, mas em ter a disciplina e a estrutura para reagir mais rápido e com mais inteligência que o mercado”, afirma.

A fala reflete uma percepção compartilhada por analistas de mercado: a tributação não alterou a essência das decisões de investimento, mas acelerou o calendário de movimentações, concentrando aportes em um período específico e reforçando a importância da gestão ativa em cenários de mudanças das regras.

A alteração regulatória promovida pela CVM também se soma a esse cenário ao permitir que investidores de varejo tenham acesso a estratégias antes restritas ao público qualificado.

Segundo Jorge Fernando, sócio e assessor de investimentos da Cultura Capital, a acessibilidade se tornou um ponto-chave: “O que chama a atenção é a consistência. Em um ambiente de incerteza, o investidor valoriza não apenas o retorno acima do CDI, mas a regularidade com que ele é entregue. O fato de estar disponível também ao varejo amplia o alcance de uma estratégia que, por muito tempo, esteve restrita a um público menor.”

Para especialistas, o alinhamento entre regulação, mudança tributária e histórico consistente de determinados fundos explica por que alguns conseguiram capturar de forma mais eficiente o fluxo positivo de julho.

“O investidor está cada vez mais seletivo e busca casas que entregam consistência no longo prazo”, afirma Turaça.

Fonte: Valor Investe

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