Solis mira R$ 60 bi até 2028 e mantém DNA próprio após acordo com o Pátria

Casa referência em FIDCs, a Solis Investimentos fechou 2025 com R$ 28 bilhões sob gestão e um novo sócio, o Patria Investimentos, que adquiriu 51% da asset. Surfando na mais recente onda do mercado de crédito, os FIDCs, a Solis tem conseguido um crescimento médio de 35% nos últimos cinco anos e tem ambições ainda…

Casa referência em FIDCs, a Solis Investimentos fechou 2025 com R$ 28 bilhões sob gestão e um novo sócio, o Patria Investimentos, que adquiriu 51% da asset. Surfando na mais recente onda do mercado de crédito, os FIDCs, a Solis tem conseguido um crescimento médio de 35% nos últimos cinco anos e tem ambições ainda maiores. “Nossa meta é chegar próximo a R$ 60 bilhões sob gestão até 2028, um plano desenhado antes da aquisição do Patria e aprovado por eles”, comenta Delano Macêdo, sócio-diretor da Solis e fundador da gestora ao lado de Ricardo Binelli. Pelo acordo, o DNA da Solis e a independência operacional seguem pelos próximos três anos, quando deve ocorrer a segunda rodada com a venda do restante da casa ao Patria, em condições pré-definidas. “Isto foi dito desde o começo. Precisa prevalecer o nosso modo de operar, pelo menos no período de três anos, de aproximação das casas”, comenta Binelli. Na entrevista ao Além do Capital, os sócios contaram um pouco da história exitosa da Solis, focada em FIDC e casa pioneira em fundos estruturados para o varejo. Acompanhe:

Como nasceu a Solis e por que o foco em atuar apenas com FIDCs?

DM: A história começou lá atrás. Em 2010, nós dois trabalhávamos  na Petra e participamos de um processo seletivo da Funcef para a constituição de um fundo de fundos (FOF) para comprar cota de FIDC. Ganhamos e implementamos o fundo. Começamos a trabalhar muito próximos, eu e o Binelli, e decidimos replicar o modelo e captar do mercado com investidores institucionais, family offices, em plataforma. Em 2011, criamos o FIDC Solis Antares, nosso produto mais antigo. Depois de dois anos de track recorde, passamos a distribuir pela XP. Em 2016, uma parte da equipe da Petra saiu e montou a Solis. Ocorreu a migração de alguns investidores, como a própria Funcef, que aprovaram em assembleia a mudança para a Solis. Três ou quatro fundos foram transferidos para a Solis.  

RB: Naquele momento, a gente montou duas empresas, a Solis e a CDP Capital, com objetivos diferentes. A CDP fazia o papel de uma consultora especializada no FIDC, de selecionar os ativos, prospectar as empresas, aprovar do crédito etc. Fazia toda a originação. Empacotava o FIDC que seria gerido pela Solis.

A CDP, anos depois, acabou sendo incorporada na Solis. O que levou ao movimento?

DM: A Solis foi crescendo e, em 2021, eu e o Ricardo tínhamos participações distintas nas duas empresas (Solis e CDP) e decidimos montar uma holding com participações iguais. Em 2022, participamos de um processo de captação de recursos do IFC (braço do Banco Mundial) que nos questionou por que tínhamos a Solis e a CDP, separadas. Achávamos que fazia sentido o questionamento, mas não era o foco naquele momento. O IFC acabou sendo um catalisador, um indutor do processo, efetivamente. No final de 2023, a CDP foi incorporada. O ano de 2024 foi o primeiro das duas empresas juntas. A Solis passou, com isto, a fazer a esteira completa de originação, estruturação, modelagem, crédito e monitoramento de FIDC.

A Solis fechou o ano passado com R$ 28 bilhões sob administração. Como se deu o
crescimento dos ativos, foi linear ou em algum momento o passo foi acelerado? 

DM: Em dezembro de 2020, a Solis tinha mais ou menos R$ 4 bilhões e, desde então, o crescimento médio anual é na casa de 35%. Eu diria que, de 2021 para 2022, teve o crescimento mais importante e dobramos de tamanho. E de 24 para 25, crescemos 50%, chegando em dezembro com R$ 20 bilhões sob gestão. No ano passado, avançamos para R$ 28 bi.

RB: Se você olhar um gráfico, vai ver que não tem nenhum degrau nem para cima, nem para baixo. É uma crescente linear. Os juros altos ajudam, porque os FIDCs emprestam dinheiro a 2% ou 2,20% ao mês. Aquilo que temos de FIDC cresce quase naturalmente a 30% ao ano. A parte de FIC de FIDC cresce um pouco mais de 20% ao ano. É orgânico. E assim fomos nos consolidando como referência em FIDC, o que também ajuda.

A Solis faz a esteira toda do FIDC, da originação à gestão, mas no que vocês
consideram que a casa é melhor, qual o diferencial?

RB: Na minha visão, o grande diferencial da Solis é a especialização. A gente não quis fazer um fundo imobiliário, não quis fazer o agro, tem várias ferramentas de crédito nesses segmentos, mas nós escolhemos ficar especializados em FIDC. DM: Eu acrescentaria dois pontos que foram fundamentais no processo. Um diferencial foi a nossa capacidade de originação e estruturação. A gente decidiu se preparar para entender as demandas do mercado em vários lastros e não ficar esperando que alguém nos procure, é uma prospecção ativa. Nos relacionamos o tempo todo com estruturadores, com originadores, com escritórios de advocacia, ou seja, todos os stakeholders que participam de um processo de estruturação do FIDC. Temos capacidade de botar em pé, efetivamente. Entendemos, como o Ricardo disse, que era importante focar só em FIDC. A gente continua acreditando que cada vez mais ativos/lastros distintos vão procurar o FIDC.

Vocês veem algum risco na profusão de casas aproveitando o bom momento e criando seus
FIDCs, sem uma especialização?

DM: Vejo um risco sim. A CVM e a Anbima deveriam ter cada vez mais a capacidade fiscalização e educação que eles se propõem fazer. Não tem outra forma. Tem de educar melhor os investidores.

RB: Do lado do investidor, ele precisa entender que não tem almoço grátis. Uma coisa, por exemplo, muito discutida no mercado, principalmente por gente que não entende tanto de FIDC, é o fato de o fundo não ter marcação de mercado. Assim, os fundos que compram a cota de FIDC não têm volatilidade. Existe uma preocupação que nos parece justa. Não dá para o investidor ver o retorno parrudo que o FIDC geralmente tem com baixa volatilidade, e imaginar que não tem risco. Esta é uma preocupação nossa também.   

A Solis foi a casa pioneira, após a publicação da CVM 175, na criação de FIDC
para o varejo. Como está o desempenho do fundo? 

RB: Sobre o desempenho do fundo, a captação vai super forte, entra, por dia, perto de R$ 4,5 milhões no fundo. Em breve, completará dois ano e deve atingir R$ 1 bilhão. Hoje, tem perto de R$ 800 milhões e 15 mil cotistas. É um fundo que, por regulamento, carrega 30% de ativos liquidáveis até o prazo de resgate do fundo. A gente tem uma geração de liquidez forçosamente maior. Com entrega de retorno de CD mais 1,5%. DM: A gente queria conhecer o perfil do investidor de varejo. É um público nervoso, e quando dá algum sinal de fumaça na economia, resgatam tudo. Eram as informações que chegavam para a gente. Para a nossa surpresa, até agora, nesses quase um ano e meio do FIDC para o varejo, foi tudo dentro do esperado, surpreendeu em volume, em permanência ficou acima do esperado e sem surtos com volatilidade. Comportamento semelhante ao qualificado e profissional.

Por que o produto, FIDC para o varejo, ainda não decolou? Falta interesse das casas? 

DM: A dificuldade de achar ativo é maior do que o medo da volatilidade. Quando a gente faz um FIDC na originação, sempre procura, de dois anos para cá, que os FIDCs que a gente estrutura possam ter um pouco de varejo. A gente tem um volume grande de fundos geridos aqui dentro, perto de 80, que investem em mais de 160 FIDCs. Temos um ativismo para que todos esses fundos possam ser para o público em geral, na sua maioria. A gente consegue ter uma quantidade de ativos para que o fundo compre dentro de casa.

RB: Quando você está falando dessa evolução muito grande do mercado, são duas as preocupações. A primeira é risco e preço. Quando tem as grandes gestoras, vinculadas a banco, vindo agressivamente para o mercado de FIDCs, ocorre uma compressão de taxa. Nessa hora, ter originação e estruturação interna vira um caminho para conseguir gerar retorno mais interessante, preservando o nível de risco a qualidade do crédito. Pensando no FIC Pioneiro, que nós fizemos para o varejo, e outras não, um motivo é o foco da Solis na originação. Chegou um ativo para estruturar, se a política de investimento daquele FIDC cabe para o varejo, fazemos. Tentamos demover o originador de alguma característica que possa impedir que o público seja o de varejo.

Como está estruturada a distribuição dos FIDCs da Solis?

RB: Temos na nossa distribuição pelo menos dois caminhos. Temos a distribuição via fundo de fundos, ou seja, os nossos fundos de fundos comprando FIDCs, e a distribuição direta. E temos os institucionais. Para aqueles FIDCs maiores, a gente vende os fundos individualmente. Originalmente, tinha as plataformas e os family offices aderindo mais à ideia dos fundos de fundos. Os Family offices são alocadores, eles preferem escolher bons gestores a comprar nas plataformas. Esses foram os públicos originais. Já tem um tempo que começamos a perceber diferença. Gestores começaram a chegar na Solis dizendo que só conseguem olhar os grandes FIDCs, de grandes empresas, com mais cara corporativo do que de securitização. E propuseram fazer um mandato conosco para comprar FIDCs. Estamos, neste ano, olhando para FIC de FIDCs fechados para atender a assets interessadas em comprar conosco.

DM: A ideia é ter mais um bolso conosco, agora dos gestores. Já temos o das plataformas, temos do fundo exclusivo e do Family office, e agora vamos focar no bolso dos gestores que buscam a especialidade que a Solis tem em FIDC fechado.  No final do ano passado, vocês venderam 51% da Solis para o Patria. Por que o
movimento e o que mudou?

DM: Tudo isto que estamos falando chamou a atenção do Patria, que tem várias áreas de negócio, e no crédito, como o foco é bem  específico, especializado, cresceram bem, mas as ambições eram maiores. Contrataram uma consultoria para olhar o mercado e chegaram até nós. Fizeram uma proposta, no meio do ano passado, iniciaram uma diligência. Chegamos a um acordo. Conseguimos negociar uma autonomia de negócios e operacional dentro da premissa que colocamos logo no primeiro dia.

RB: Isto foi dito desde o começo. A Solis estava funcionando bem. Precisa prevalecer o nosso modo de operar. Pelo menos durante um período em que a gente está se aproximando, se conhecendo mais, que é um período de três anos. Eles vieram com a posição de associativismo e uma posição de respeito ao nosso DNA. O contrato foi assinado com clausula de put e call em três anos. Em que a gente tem o direito de vender e eles têm direito de comprar.

O acordo foi travado desde a origem, para o momento de exercerem o put e call do
restante da Solis?

DM: Todas as regras e preços e lógicas estão definidos sim. A ideia é trabalhar junto. Neste momento, estamos focados em entregar o business de três anos que montamos, independente do Pátria. Nós construímos em 2025 um plano estratégico para 2026, 27 e 28 que propõe dobrar de tamanho nesse período. É a nossa meta chegar próximo de R$ 60 bilhões sob gestão. O Pátria apenas concordou. O que pode acontecer é uma agregação de valores. Eles têm uma capacidade de captação em perfil de investidor ao qual não temos acesso ou eles têm um relacionamento gigantesco com o mercado de originação de potenciais negócios, por exemplo, ou podemos construir produtos juntos. Tem uma série de complementariedade e agregações que eles podem fazer para as Solis e o número (60 bi) chegar antes de 2028. As reuniões que já estão acontecendo nos últimos 30 dias já são com esse objetivo.

Fonte: Capital Aberto

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