Anbima acredita em coordenação regional

A reforma regulatória no Brasil está abrindo novas perspectivas para o mercado de capitais. As pequenas empresas deveriam ter acesso a esse mercado. O presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos André, disse em evento nos Estados Undos que o mercado de capitais brasileiro passou por um esforço de modernização ao longo dos últimos anos, abrangendo fundos de investimento, ofertas públicas e transparência na distribuição.
Ele citou que as reformas adequaram exigências de divulgação e requisitos processuais ao tamanho de cada oferta e ao seu público-alvo, reduziram o tempo de lançamento no mercado, introduziram regras mais rígidas de transparência sobre remuneração e conflitos de interesse na distribuição e modernizaram a indústria de fundos de investimento, que se aproximou muito mais dos padrões internacionais. “Juntas, essas mudanças colocam o Brasil em melhor posição para o crescimento futuro do mercado, embora melhores condições macroeconômicas continuem sendo críticas”, afirma.
Carlos André abordou o tema no evento Global Banking & Markets Latin America 2026, realizado em Miami, na semana passada. Ele participou do painel “From reforms to results: Uneven paths to local capital access in LAC’s evolving markets (Das reformas aos resultados: Caminhos desiguais para o acesso ao capital local nos mercados em evolução da América Latina e do Caribe)”.
Além do presidente da Anbima, participaram do evento Natalia Dias, diretora-gerente de mercado de capitais no IDB Invest; Sofía Calvo, diretora de finanças corporativas e de relações com bancos do Grupo Bimbo; e Luis Gonzalí, vice-presidente e codiretor de investimentos da Franklin Templeton.
México
Os participantes enfatizaram que a próxima fase deve focar em execução: tornar as emissões mais rápidas e baratas, ampliar a participação de investidores e criar escala suficiente para que empresas menores acessem os mercados de forma sustentável. O México busca uma via simplificada de acesso para empresas de médio porte por meio de reformas da lei do mercado de valores mobiliários. Gonzalí, da Franklin Templeton, disse que o objetivo é trazer mais empresas ao mercado, reduzindo barreiras de custo e tempo.
“A ideia é simplificar isso para essas empresas”, disse, citando reduções de taxas e prazos mais rápidos de aprovação. Carlos André acrescentou que, no novo arcabouço, parte da aprovação deixa de passar pelo regulador. “Você não precisa do regulador. Precisa apenas da aprovação da bolsa de valores”, disse.
Já Gonzalí alertou que a implementação é a parte difícil. “Em teoria, é uma lei muito bonita. No entanto, há muito trabalho legislativo a fazer”, afirmou. Ele argumentou que muitas empresas menores ainda não têm governança e qualidade de crédito para atender às expectativas dos investidores, enquanto o volume das emissões pode ser muito baixo para grandes instituições.
IDB Invest.
Natalia Dias destacou que o papel do IDB Invest é o de traduzir melhores regras em emissões e liquidez reais, conectando grandes fluxos globais de capital a oportunidades locais. “Traduzimos essas melhorias em oportunidades reais de investimento ao trazer novos investidores para o mercado”, disse.Ela destacou o Eco Invest, implementado no mercado brasileiro, como exemplo de como um programa pode ser estruturado para atrair demanda internacional. A iniciativa, segundo ela, já mobilizou volume relevante, com mais de US$ 28 bilhões em investimentos captados. Para abordar as restrições de investidores estrangeiros — especialmente mandatos que limitam exposição cambial ou a risco — ela apontou esforços para reempacotar ativos locais em formatos que atendam exigências globais.
Fonte: Monitor Mercantil
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