A redução das tensões no Oriente Médio trouxe um certo alívio para os mercados nos últimos dias, o preço do petróleo caiu e moedas de países emergentes, como o real, ganharam força frente ao dólar.
Porém o cenário continua instável e muito sensível a qualquer novo conflito. Se houver novos ataques, o impacto nos mercados tende a ser rápido. Para o Brasil, isso afeta diretamente o custo do dinheiro, os juros e o acesso ao crédito.
Como analisa o gerente de RI da Multiplike, Peterson Rizzo, o principal risco embutido nas projeções atuais está menos relacionado ao câmbio ou às commodities no curto prazo, e mais à manutenção de uma política monetária restritiva por um período prolongado.
Indústria segue pressionada mesmo com melhora externa
O setor da indústria segue pressionado com a combinação de juros elevados, menor demanda pela incerteza no cenário econômico interno e externo.
A confiança do empresário industrial voltou a cair e atingiu o menor nível desde 2020. Segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), essa foi a terceira queda consecutiva do indicador, refletindo um momento de cautela no setor.
Além do ambiente macroeconômico desafiador e os custos altos, outros fatores, como a alta do petróleo contribui para um quadro ainda mais restritivo. A piora no indicador de expectativas sugere que o pessimismo não se limita ao curto prazo, indicando preocupações das atividades industrial nos próximos meses.
A indústria da construção civil também não é diferente, com aumento de insumos essenciais pressionados pela instabilidade geopolítica e elevação do petróleo, pressiona diretamente o custo da obra.
Construção civil enfrenta pressão nos custos
A construção civil também sente os impactos desse cenário. A elevação dos preços de insumos essenciais, influenciada tanto pela instabilidade geopolítica quanto pelo comportamento do petróleo, pressiona diretamente o custo das obras.
Com maior dificuldade de previsão de preços futuros, as construtoras enfrentam desafios no planejamento financeiro. Projetos de médio e longo prazo passam a exigir níveis mais elevados de gestão de caixa, controle de cronogramas.
Nesse cenário, com o custo do dinheiro ainda elevado e pouca previsibilidade, as empresas tendem a buscar alternativas para manter o equilíbrio financeiro e seguir operando.
Entre essas alternativas, ganham espaço modelos de financiamento híbrido, que permitem ajustar prazos e condições de acordo com a realidade de cada negócio.
Esse movimento mostra uma mudança na forma de acessar crédito. Em vez de depender apenas de linhas tradicionais, parte das empresas passa a diversificar suas fontes de capital, buscando mais previsibilidade em um ambiente ainda incerto.
Fonte: Redação
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