O cenário econômico e do crédito exige atenção constante de quem toma decisões estratégicas nos negócios. Nesta edição de outubro de 2025 do Boletim Multiplike, apresentamos uma análise cuidadosa da macroeconomia e do mercado de crédito, destacando os fatos mais relevantes que impactam empresas e investimentos
Comentado por Volnei Eyng.
Boa leitura.
O QUE MAIS MOVIMENTA O MERCADO?
Ata do Copom: Selic alta por mais tempo
A ata divulgada pelo Banco Central deixou claro que a inflação segue resistente e que a autarquia não vê espaço para afrouxar a política monetária tão cedo. O mercado deve reagir com cautela: a curva de juros tende a permanecer pressionada e os ativos de renda fixa continuam atrativos frente ao risco da renda variável. Para a economia real, o recado é de que o crédito seguirá com custo elevado e crescimento seguirá limitado. Necessário planejamento.
IPCA-15: inflação resistente pressiona política de juros
A prévia da inflação voltou a acelerar em setembro depois da queda de agosto, o que reforça a ideia de que o alívio recente nos preços foi pontual, muito influenciado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. A trajetória de juros no Brasil continua dependendo do comportamento da inflação, e reduções mais aceleradas ficam fora de cogitação. O investidor deve manter uma postura conservadora, equilibrando proteção e retorno, em vez de apostar em movimentos de curto prazo.
Tarifaço EUA: surge uma oportunidade de negociar?
Em evento da ONU, Trump chamou Lula de “um cara legal” e sinalizou um encontro com o presidente brasileiro. Essa sinalização abre uma janela importante, mas ainda não garante resultados imediatos. O Brasil deve encarar com otimismo, mas também com cautela. O governo precisa usar esse momento para negociar de forma pragmática, buscando reduzir tarifas que hoje prejudicam nossa competitividade e, ao mesmo tempo, fortalecer a relação comercial de longo prazo com os Estados Unidos.
Qual a leitura geral o mercado está dando às empresas?
Para empresas e para o mercado de crédito, o desafio está em entender como navegar nesse ambiente contraditório, onde a política monetária restritiva não tem domado a inflação e nem desacelerado significativamente a economia.
Em outras palavras, isso quer dizer que já não basta olhar apenas para a curva dos juros. É preciso observar com atenção como renda, consumo, setor externo e custos empresariais se combinam para formar um quadro de incerteza prolongada.
O Brasil de 2025 não está fora das regras da economia, mas está mostrando que o ajuste não é linear, e pode ser mais desafiante do que o imaginado. Para quem decide sobre crédito e investimento, segue a máxima de sempre tomar decisões com estratégia e cautela. Empresários devem buscar entender o contexto econômico para além de indicadores econômicos isolados como os juros.
Autor: Volnei Eyng
Fundador e CEO da Multiplike, uma gestora de recursos com 25 anos de história e mais de 30 bilhões de crédito cedido.
Sócio benemérito da ABRAFESC;
Graduado em Administração e Economia;
MBA na HSM Management em Gestão de Negócios;
MBA em Macroeconomia.
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