Empresas médias “saem da sombra” e puxam a alta de 22,5% em emissão de dívida

Levantamento da Bloxs mostra que o mercado de dívida somou R$ 192,4 bilhões no primeiro trimestre, impulsionada pela expansão dos FIDCs e pela entrada de mais empresas do middle market O mercado de capitais de dívida iniciou 2026 em um ritmo ainda mais acelerado que o do ano passado, que terminou com recorde histórico de…

O mercado de capitais de dívida iniciou 2026 em um ritmo ainda mais acelerado que o do ano passado, que terminou com recorde histórico de R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas.

Segundo dados compilados pela Bloxs, fintech de Investment Banking as a Service que conecta emissores a investidores, o volume consolidado do primeiro trimestre alcançou R$ 192,4 bilhões, alta de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A expansão ocorreu mesmo em um ambiente de juros ainda elevados, com a Selic em 14,75%. Para a plataforma, o avanço do crédito privado vem abrindo espaço para um grupo de empresas que, até pouco tempo atrás, permanecia fora do radar das grandes estruturas de mercado.

De um lado, o crédito bancário para pessoa jurídica segue operando com taxas entre 20% e 27% ao ano. De outro, o mercado de capitais oferece custo entre 16% e 18% ao ano para empresas de médio porte e a partir de CDI+2% para emissores AAA. É esse diferencial que continua atraindo novos emissores.

Mas a preferência por instrumentos vem mudando. As debêntures seguiram dominantes, com R$ 73 bilhões em emissões e 62,02% de participação, mas recuaram 14,3% na comparação anual.

Os FIDCs foram o destaque, com alta de 38,09%, para R$ 29,7 bilhões e 25,23% de participação. Os CRIs avançaram 11,3%, para R$ 7,4 bilhões, enquanto os CRAs caíram 72%, para R$ 2,1 bilhões, evidenciando um cenário mais desafiador para o agronegócio. Já as notas comerciais recuaram 35%, para R$ 5,5 bilhões, indicando menor apetite por esse tipo de emissão mais simples em um período de maior escrutínio ao crédito.

Na avaliação da Bloxs, os FIDCs vêm se consolidando como a “porta de entrada do middle market”, impulsionados pela abertura ao varejo trazida pela CVM 175 e por um ciclo em que mais emissores buscam estruturas aderentes a recebíveis, capital de giro e financiamento pulverizado.

O relatório também destaca que a abertura dos FIDCs ao investidor de varejo, a responsabilidade limitada dos cotistas e o aumento da transparência ajudaram a catalisar esse movimento.

Para Felipe Souto, a expansão desse tipo de instrumento integra um redesenho mais amplo do mercado de capitais brasileiro, especialmente entre empresas menores e familiares, fora dos grandes centros, que passaram a acessar uma infraestrutura antes concentrada em emissores tradicionais.

Ele destaca que o crescimento do mercado não ocorre apenas por ganho relativo frente a outras alternativas, mas também pela entrada de novas empresas do small middle market, muitas vezes familiares e fora dos grandes centros, que passaram a descobrir o mercado de capitais.

No recorte por setores, o mercado de capitais de dívida no primeiro trimestre teve liderança de energia elétrica, com participação estimada de 28% do volume, seguida por saneamento (18%), agronegócio (15%) e logística e transportes (12%).

Já na base da Bloxs, o retrato é diferente. O setor imobiliário respondeu por 51% dos deals da companhia no trimestre, seguido por outros/diversificado (21%), agronegócio (10%) e crédito/FIDC (8%). Segundo a empresa, o peso do imobiliário reflete tanto a maturidade do CRI como instrumento quanto a profundidade de sua rede de assessores nesse segmento.

Até o fim de 2026, a expectativa é de um mercado mais líquido e favorável a novas emissões, à medida que o ciclo de cortes da Selic ajude a comprimir spreads e ampliar o apetite por risco. Esse movimento tende a beneficiar principalmente emissores de menor porte e dar tração adicional a instrumentos como FIDCs e tokenização, ainda que o cenário siga sujeito a riscos tributários e regulatórios.

Por outro lado, parte relevante das emissões já foi antecipada para o primeiro trimestre. Segundo Souto, a proximidade das eleições e a volatilidade associada estão levando as companhias a acelerar captações.

Fonte: Neo Feed

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