Crédito estruturado bate recorde de emissões, mas requer atenção do investidor | GCB Investimentos | Valor Investe

    Diferentemente do crédito bancário padronizado, o crédito estruturado permite o monitoramento contínuo dos recebíveis que servem de lastro, oferecendo transparência sobre a saúde financeira da operação ao longo de todo o ciclo do ativo.Getty Images O mercado de capitais brasileiro encerrou o primeiro trimestre de 2026 sob cautela. Em 18 de março, o…

Foto: Getty Images

 

 

Diferentemente do crédito bancário padronizado, o crédito estruturado permite o monitoramento contínuo dos recebíveis que servem de lastro, oferecendo transparência sobre a saúde financeira da operação ao longo de todo o ciclo do ativo.Getty Images

O mercado de capitais brasileiro encerrou o primeiro trimestre de 2026 sob cautela. Em 18 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., fixando-a em 14,75% a.a. O movimento, embora esperado, sinalizou o início de um ciclo de flexibilização mais moderado do que o mercado antecipava meses antes, refletindo a necessidade de maior prudência por parte da autoridade monetária diante de um balanço de riscos menos favorável.

Essa calibragem da política monetária ocorre em um ambiente de enfraquecimento da atividade econômica e elevado custo da dívida, onde o Banco Central (BC) sinaliza que o ritmo dos próximos ajustes seguirá condicionado ao grau de confiança na convergência da inflação à meta de 3,0%. “O Copom começou os cortes, como havia previsto na reunião de janeiro, mas numa dosagem comedida”, afirma Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos. Para o especialista, o cenário exige vigilância redobrada, uma vez que “o BC deverá adotar uma condução ainda mais cautelosa, e mais dependente da evolução dos dados de inflação e de atividade econômica”.

A escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo adicionaram riscos à inflação. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros no patamar anterior — o que limita o espaço para cortes agressivos em mercados emergentes, sob o risco de pressão cambial e fuga de capitais. Internamente, o cenário de juros elevados por período prolongado continua a pressionar os balanços das famílias e das empresas, refletindo os efeitos defasados de uma política monetária restritiva.

Crédito estruturado

Ganha importância o mercado de capitais estruturado para o financiamento de empresas e projetos – em produtos como debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Em 2025, o crédito privado registrou um recorde de emissões, com empresas captando R$ 730 bilhões – valor 3% superior ao registrado no ano anterior. Nesse ecossistema, o financiamento é pulverizado entre investidores por meio de veículos de securitização, onde a segurança da operação não reside apenas no balanço do tomador, mas na estruturação de garantias e na cascata de pagamentos.

Ao desenhar contratos com diferentes níveis de prioridade no recebimento e duration (prazo médio de recebimento do fluxo), uma gestora pode mitigar riscos setoriais. Diferentemente do crédito bancário padronizado, o crédito estruturado permite o monitoramento contínuo dos recebíveis que servem de lastro, oferecendo transparência sobre a saúde financeira da operação ao longo de todo o ciclo do ativo.

Tokenização de ativos

Gustavo Moreira Carvalho, Chief Legal Officer (CLO) da GCB Investimentos, explica que a capacidade de fatiar ativos complexos permite que o investidor acesse oportunidades antes restritas a grandes tesourarias. “Digamos que o governo de um estado tenha emitido um precatório de R$ 1 milhão. Poucas pessoas teriam acesso a esse investimento. Mas a gestora pode fatiar esse total em cotas menores e oferecer a um público muito maior”, afirma.

Essa democratização ganhou impulso com a Resolução 88 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamentou a tokenização de ativos. O salto foi exponencial: de R$ 7 milhões operados em 2022, ano de publicação da resolução, para R$ 4 bilhões em 2025. “A infraestrutura tecnológica do blockchain reduz custos operacionais de emissão e custódia, o que se reflete em maior eficiência para o investidor final”, afirma Carvalho. “Realmente houve um barateamento do acesso ao mercado de capitais”.

Entretanto, a busca por retornos atraentes no High Yield exige que o investidor qualificado não negligencie a diligência. Em um cenário onde a inadimplência permanece em trajetória de alta, a classe das cotas — que define quem absorve as primeiras perdas em caso de inadimplência do lastro — torna-se um mecanismo de proteção indispensável. “Muitos investidores, na busca por praticidade, acabam optando por se acomodar à rentabilidade alta de produtos pós-fixados. Mas existe um outro lado dessa moeda: muitas empresas estão enfrentando dificuldade de caixa, e isso impacta nos títulos de dívida dessas companhias”, alerta Constantino.

A análise técnica deve priorizar a robustez da estruturação jurídica e a capacidade de cobrança das garantias, e não apenas no diferencial de juros (spread) oferecido em relação ao CDI. Carvalho reforça que “a qualidade da estruturação do crédito e da gestão de riscos do administrador podem ser mais importantes do que a taxa de retorno oferecida”.

A trajetória da GCB Investimentos, com 16 anos de mercado e R$ 3 bilhões em operações estruturadas, exemplifica a transição do mercado em direção a uma maior seletividade. Em um período em que o número de gestoras de crédito privado cresceu 173%, a disciplina na originação torna-se um filtro essencial para evitar a exposição a setores excessivamente alavancados. Antes de chegar à fase de oferta, cada oportunidade passa por um sofisticado processo de diligência financeira e jurídica: menos de 5% das propostas de crédito são aprovadas. “A gente só estrutura produtos que, se não forem vendidos, podemos perfeitamente carregar no nosso balanço”, diz Carvalho. “Isso gera um alinhamento de interesses enorme com o investidor”.

 

Fonte: Valor Investe

Tudo Sobre FIDCs

O seu portal de notícias e análises sobre o mercado de FIDCs. Reunimos, diariamente, as principais informações sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, mercado de capitais e crédito.

Acompanhe as movimentações, tendências e estratégias que moldam o universo dos FIDCs.

Tudo Sobre FIDCs: conteúdo inteligente para quem acompanha o mercado de FIDCs.





 

 

O quão foi útil este conteúdo pra você?

Fique por dentro
das principais notícias do mercado financeiro.

    Últimas notícias: