Mercado privado deve assumir papel maior no financiamento do agro, dizem especialistas

  O avanço do crédito privado e do mercado de capitais deve ser o principal caminho para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos. A avaliação foi compartilhada por especialistas reunidos no segundo painel do VEJA Fórum Agro 2026, realizado nesta terça-feira, 16, no Teatro Santos Augusta, em São Paulo. Promovido por VEJA…

 

O avanço do crédito privado e do mercado de capitais deve ser o principal caminho para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos anos. A avaliação foi compartilhada por especialistas reunidos no segundo painel do VEJA Fórum Agro 2026, realizado nesta terça-feira, 16, no Teatro Santos Augusta, em São Paulo. Promovido por VEJA e VEJA NEGÓCIOS, o evento debate os desafios e as oportunidades para um dos setores mais relevantes da economia brasileira.

A discussão ocorreu em um momento de pressão sobre a rentabilidade do produtor, juros elevados e aumento das preocupações com a sustentabilidade financeira do setor. Para Gustavo Diniz Junqueira, empresário e ex-secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, o debate sobre a atual crise de crédito rural está sendo conduzido de forma equivocada. “Não deveríamos discutir se haverá ou não uma nova renegociação. A discussão correta é como evitar que novas renegociações sejam necessárias”, afirmou.

Segundo Junqueira, a recorrência de programas de renegociação cria um problema estrutural de governança ao estimular a dependência de socorros futuros. Como alternativa, ele defendeu a utilização de parte dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a criação de um mecanismo permanente de garantia de crédito para o setor.

O executivo lembrou que o fundo acumulou cerca de 140 bilhões de reais desde sua criação e gerou aproximadamente 30 bilhões de reais em receitas apenas no último ano. Na sua avaliação, os recursos poderiam ser utilizados para reduzir riscos sistêmicos e atrair investidores privados.“O governo precisa deixar de ser financiador direto e passar a atuar como garantidor das operações”, afirmou.

A mesma visão foi compartilhada por Gabriela Chiste, head de Crédito Agro da Vinci Partners. Segundo ela, o Plano Safra continua essencial para o setor, mas já não acompanha o ritmo de crescimento do agronegócio brasileiro.

Dados apresentados pela executiva mostram que cerca de 30% do crédito rural concedido na safra 2025/26 teve origem em recursos controlados pelo governo, enquanto os demais 70% vieram de fontes privadas. O Plano Safra soma 605,2 bilhões de reais, valor recorde, mas cresce em velocidade inferior à observada nos instrumentos privados.

Entre 2021 e 2025, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) saltou de 94 bilhões para 527 bilhões de reais, avanço de 461%. No mesmo período, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) cresceram 309%, alcançando 608 bilhões de reais. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 180%, para 167,6 bilhões de reais, enquanto os Fiagros, criados em 2021, já acumulam patrimônio de 43,1 bilhões de reais.

“Hoje o mercado privado cresce mais rapidamente do que o crédito oficial. O Plano Safra é fundamental, mas sozinho não consegue atender às necessidades de um setor que se tornou muito maior e mais sofisticado”, afirmou.

Na avaliação da executiva, o próximo passo será ampliar o acesso dos produtores ao mercado de capitais. Ela destacou o papel das CPRs e dos Fiagros na democratização do crédito, especialmente para médios produtores, e defendeu uma atuação mais catalisadora do governo.

“Quanto mais o governo atuar como indutor do capital privado, menor será a necessidade de aportar recursos diretamente nas operações”, disse.

Apesar do avanço, Gabriela alertou para desafios importantes. Entre eles estão o risco de inadimplência, a concentração do mercado em grandes emissores, a baixa liquidez de alguns instrumentos e eventuais mudanças regulatórias que possam reduzir o interesse dos investidores.

“O Brasil é uma potência agrícola. O financiamento precisa estar à altura desse crescimento”, afirmou.

Fonte: Veja Negócio

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