
A Multiplike Financeira mira o investidor pessoa física e estima captar R$ 800 milhões com seu primeiro lançamento de Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), que estarão disponíveis em múltiplas plataformas de investimentos.
No caso do LCI, com rentabilidade de 85% do CDI, o produto já está disponível nas plataformas da XP Investimentos e do Inter. Posteriormente, será estendido a outras plataformas.
LCI e LCA são produtos isentos de imposto de renda e cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sendo uma alternativa para os investidores que buscam diversificar sua carteira.
O LCI da Multiplike Financeira tem aplicação mínima de R$ 1 mil, possibilidade de resgate antecipado e prazo até maio de 2027. O LCA está na fase final de estruturação, devendo chegar ao mercado até julho, também em múltiplas plataformas.
“Essa opção de investimento, o LCI, é melhor que o CDB porque, além da isenção do Imposto de Renda, o próprio lastro do papel são os títulos que temos aqui dentro da Multiplike. Não é um título sem lastro, o que traz maior segurança ao investidor, além da cobertura do FGC”, explica Volnei Eyng, Ceo da Multiplike.
Para o investidor pessoa física, a LCI oferece vantagens práticas que vão além da taxa nominal. Por conta da isenção do IR, o produto equivale a um CDB de até 104,24% do CDI, conforme informado nas plataformas de distribuição.
Aposta da Multiplike na renda fixa
A migração dos investidores brasileiros para títulos privados começou a mudar também a forma como instituições financeiras estruturam sua captação.
“A LCI da Multiplike chega neste momento em que os títulos privados ganharam espaço relevante nas carteiras dos brasileiros e o investidor está mais familiarizado com esse tipo de instrumento”, afirmou Eyng.
A poupança ainda é o produto financeiro mais usado por quem investe, mas perdeu espaço nos últimos 5 anos, com a fatia de investidores na caderneta recuando de 75% para 61% entre 2021 e 2025, enquanto os títulos de renda fixa CDB, LCI e LCA mais que dobraram sua presença nas carteiras, de 8% para 20%, de acordo com dados do Banco Central.
O estoque de CDBs, letras de crédito imobiliário e do agronegócio e letras financeiras chegou a quase R$ 5 trilhões ao fim de 2025, alta de 17% em relação ao ano anterior, conforme dados do Banco Central. Nas emissões do mercado de capitais, os títulos privados responderam por 88% do volume realizado em 2025, com destaque para debêntures, notas comerciais e fundos de recebíveis.
Mais do que abrir uma nova frente para o investidor pessoa física, a operação marca uma mudança na estrutura de funding da companhia, de acordo com Eyng. Até então, a Multiplike acessava capital principalmente por meio de instrumentos voltados ao mercado institucional, como FIDCs e securitização, afirmou.
A Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) do Grupo Multiplike recebeu autorização em agosto de 2025. Com a financeira regularizada pelo Banco Central, o grupo passará a captar também via varejo, pulverizando seu passivo e reduzindo o custo médio dos recursos usados para financiar empresas.
A LCI será uma peça importante na estratégia de funding da Multiplike. “Quando conseguimos diversificar as fontes de captação e acessar recursos com custo mais competitivo, criamos espaço para estruturar crédito empresarial em condições melhores, com mais previsibilidade e menor pressão sobre o tomador”, afirmou o CEO da Multiplike.
Ampliação do leque de instrumentos do grupo
Segundo ele, a entrada da financeira amplia o leque de instrumentos disponíveis dentro do conglomerado e permite combinar diferentes origens de capital conforme o perfil da operação. O Grupo Multiplike tem mais de 27 anos de história no mercado financeiro e de capitais.
“A financeira nos permite acessar novas fontes, inclusive linhas com custos subsidiados, e organizar o passivo de forma mais eficiente, sem depender de uma única via de captação”, acrescentou Eyng.
A estratégia ocorre em um momento em que empresas de médio e grande porte buscam alternativas para financiar capital de giro, expansão e reorganização de passivos em meio a juros ainda elevados.
Para instituições que atuam em crédito estruturado, o custo de funding é um dos fatores centrais para definir a competitividade das operações, observou. Quanto mais diversificada e barata é a captação, maior a capacidade de oferecer crédito com prazos, taxas e garantias mais adequados ao perfil das companhias atendidas, acrescentou.
No caso da Multiplike, a nova frente se soma à estrutura já formada por FIDC, securitizadora, gestora de recursos e financeira, criando um modelo verticalizado de originação, análise, estruturação, distribuição e acompanhamento das operações.
O crédito estruturado pela Multiplike é direcionado a empresas de médio e grande porte, com sólida capacidade financeira. A gestora tem R$ 5 bilhões sob gestão, com atuação integrada, sem terceirização das etapas centrais da estruturação.
Fonte: Capital Abert
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